O potencial das caívas manejadas moderadamente para aumento da produção pecuária sustentável foi foco de uma pesquisa da Epagri que conquistou espaço em uma renomada revista científica internacional.
O artigo foi publicado na Forest Ecology and Management, sediada na Holanda e que aborda editorias como ciências florestais, ecologia e gestão ambiental.
De autoria da engenheira-agrônoma Ana Lúcia Hanisch, pesquisadora da Estação Experimental da Epagri em Canoinhas, no Planalto Norte de Santa Catarina, o artigo é resultado do trabalho de pós-doutorado concluído por ela em 2025 na Universidade de Lisboa, em Portugal.

(Fotos: Ana Lúcia Hanisch/Epagri)
O estudo contou ainda com a participação de outros profissionais da Epagri, como os pesquisadores Daniel Augusto da Silva, também da Estação Experimental de Canoinhas; e Cristina Pandolfo, do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Epagri/Ciram); além de cientistas da Universidade de Lisboa, Universidade de Blumenau e Universidade Federal do Paraná.

“Durante o meu pós-doutorado, com o auxílio de uma bolsa do CNPq e o apoio da Epagri, nós conseguimos verificar o potencial de sequestro de carbono que as árvores presentes nas caívas podem ter no meio ambiente. Os resultados foram tão surpreendentes que as caívas tiveram, em média, 63 toneladas de carbono sequestradas por hectare, enquanto as florestas tiveram em torno de 68 toneladas, somente no estrato arbóreo. Quando somarmos a quantidade de carbono que é armazenada no solo, nas raízes das pastagens e no pasto, o potencial é gigante. E, no futuro, estes resultados podem ser trabalhados com os produtores no mercado de venda de crédito de carbono, agregando mais uma fonte de renda para as famílias”, diz Ana Lúcia.

“Estes resultados são importantes porque reforçam que práticas tradicionais mantidas de forma centenária por agricultores, quando estudadas e valorizadas pela pesquisa, podem ser fundamentais para a geração de alternativas na busca por uma pecuária mais sustentável. É a ciência a serviço da vida e, principalmente, reconhecendo e valorizando quem manteve nossas florestas vivas por meio do uso”, conclui a pesquisadora da Estação Experimental de Canoinhas.

A pesquisa contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que forneceu a bolsa de pós-doutorado; e de famílias agricultoras do Planalto Norte de Santa Catarina que valorizam as áreas de caíva e onde as pesquisas foram desenvolvidas ao longo de quase 20 anos.
O artigo parcial pode ser conferido aqui. No vídeo abaixo, a pesquisadora Ana Lúcia Hanisch explica mais sobre o assunto.
Por Pablo Gomes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc