A atividade pesqueira faz parte da formação da identidade cultural do Litoral Catarinense e para que o setor continue forte e em sintonia com os desafios contemporâneos, a Epagri integrou o time de instituições apoiadoras da ExpoMAR 2026, realizada entre os dias 24 e 26 de junho, no Centreventos de Itajaí. O evento reuniu as principais cadeias produtivas da pesca, aquicultura, maricultura, logística e indústria de alimentos. E dentro da programação técnica, pesquisadores e extensionistas trouxeram suas experiências para compartilhar no Simpósio Catarinense de Piscicultura e no Congresso Internacional da Pesca.

No dia 25, o extensionista rural do município de Itapoá, Antonio Carlos Pereira, participou do painel “Políticas públicas para melhoria da renda do pescador” e mostrou como a Epagri atua para viabilizar o acesso do produtor pesqueiro aos recursos. Em seguida, a extensionista social e coordenadora do projeto Flor-E-Ser, Adriane Nascimento Mendonça, apresentou os projetos “Mulheres Pescadoras” e “Jovens do Mar”, que capacitam os participantes a acreditarem em seu potencial para empreender e investir na atividade a fim de melhorar as condições de trabalho, aumentar a renda e garantir a sucessão familiar.
Ainda dentro do Congresso Internacional da Pesca, o gerente regional da Epagri em Joinville, Eduardo Calcinoni, trouxe casos de sucesso de agroindústrias para o painel “Como o pescador pode agregar valor ao pescado e melhorar a sua renda”. Ele iniciou sua apresentação com experiências de famílias que estão investindo no turismo rural, ao oferecer ao visitante, além de produtos frescos, a oportunidade de acompanhar a pesca e admirar as belezas naturais da costa catarinense em passeios guiados.
Eduardo também mostrou que é possível melhorar a renda do produtor investindo em agroindústrias para beneficiar o pescado e transformar a matéria-prima em inúmeros produtos de alto valor agregado como filés de peixe e camarão empanados, hambúrguer, linguiça e bolinhos. Sem falar em mariscos e filés congelados que podem integrar e enriquecer nutricionalmente a alimentação escolar. Para isso é preciso investir na legalização da atividade e estar em conformidade com a legislação sanitária para conquistar os selos que garantem a comercialização dentro e fora do Estado.

Sanidade animal e o mercado da piscicultura dominam os debates
Na parte da manhã, dentro do Simpósio Catarinense de Piscicultura, a veterinária e pesquisadora do Campo Experimental de Piscicultura de Itajaí (Cepit/Cedap), Lúvia Souza de Sá, mediou a conferência “Sanidade e Biossegurança: principais enfermidades e estratégias de prevenção e controle”. Participaram do debate profissionais do Ministério de Agricultura e Pecuária (MAPA), Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola (Cidasc).
À tarde, o engenheiro-agrônomo e extensionista rural de Laguna, Emannuel Ramos Viquetti, trouxe dados sobre a produção de tilápias no Estado e estratégias adotadas junto aos produtores para melhorar a competitividade. Ele chamou a atenção para a importância das anotações diárias para garantir que os ganhos superem os custos de produção, o que torna a atividade sustentável. Mostrou ainda experiências bem sucedidas de piscicultores que terceirizaram o beneficiamento para investir em agroindústrias e fortalecer sua marca.

Geolocalizador garante a segurança do pescador artesanal
No estande da Secretaria Executiva de Aquicultura e Pesca (SAQ)/Epagri/Cidasc, os visitantes puderam conhecer as espécies marinhas e de água doce que geram renda para os produtores e alimentam milhares de catarinenses e turistas que visitam a privilegiada costa de Santa Catarina. Para isso, foram montados quatro aquários, sendo um para mexilhões e algas, outro para as tilápias, uma maquete simulando uma fazenda de ostras e um aquário sensorial, cuja maior estrela era um ouriço-do-mar.
Também foi demonstrado aos visitantes como funciona o geolocalizador, dispositivo distribuído aos pescadores artesanais para casos de emergência, dentro do programa “Pescados SC”. “Em caso de tempestade severa e avaria no barco, por exemplo, ele aciona o geolocalizador que é detectado por embarcações próximas e pelo Corpo de Bombeiros para localizá-lo o mais rápido possível”, explicou o extensionista rural e líder da maricultura e pesca na região da Grande Florianópolis, Edson de Quadra.

O coordenador estadual do programa de Aquicultura e Pesca, engenheiro-agrônomo Everton Gesser Della Giustina, falou da importância de Santa Catarina sediar o maior evento de aquicultura e pesca do Brasil, já que o Estado é o maior produtor de ostras e mariscos do país, com participação de 97% na produção nacional. É destaque, também, na pesca artesanal e industrial, além de ser o quarto produtor de tilápia em nível nacional.
“A Expomar veio para Santa Catarina para evidenciar este potencial do Estado, e se constitui num espaço privilegiado de troca de informações, de descoberta de novos negócios, de expansão da atividade em suas variadas formas a fim de fortalecer toda a cadeia produtiva”, conclui.
Por Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc
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