O ano de 2025 marcou uma das maiores transformações na história da Epagri. Graças a uma mudança estrutural, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina se tornou, também, instituição de ensino, ao assumir a gestão de cinco Centros de Educação Profissional – Cedups Agrotécnicos, de forma compartilhada com a Secretaria de Estado da Educação (SED).
“Hoje, a Epagri é a única empresa do Brasil que une pesquisa agropecuária, extensão rural e ensino agrotécnico”, resume o presidente, Dirceu Leite. No início deste ano, a Empresa deu mais um passo nessa direção, assumindo a gestão das 11 Casas Familiares Rurais do Estado. São mais de 2 mil alunos estudando na Epagri.
Incluir um pilar na base da Empresa do agro catarinense revela uma visão de futuro. Dirceu destaca que a agricultura é forte, mas precisa se renovar: 30% do PIB e 65% das exportações catarinenses vêm do agronegócio e 40% dos CNPJs existentes no estado são vinculados direta ou indiretamente ao setor. “Mas se olhar para dentro das propriedades, você vai ver que há um envelhecimento médio do agricultor. É um agro que precisa de sucessão familiar”, alerta.

A entrada da Epagri na educação formal e profissional tem a missão de transformar os filhos de agricultores em Técnicos em Agropecuária, prontos para assumir as propriedades de suas famílias. O objetivo é, em algumas décadas, ter uma parcela significativa de produtores rurais com conhecimento para prosperar no campo e enfrentar os desafios do setor. “Esse é o novo agricultor para o qual a Empresa está se transformando em Nova Epagri”, projeta Dirceu.
Profissionais e recursos
A construção de uma Nova Epagri também passa pela renovação de pessoal. Em 2025, a empresa registrou a maior contratação de sua história, com a entrada de 457 concursados. Até o fim de 2026, serão cerca de 600 novos profissionais, recompondo equipes e garantindo melhores condições de atendimento em pesquisa, extensão e educação.
Além de suprir novas áreas de atuação da Epagri, as contratações vieram repor as saídas do Programa de Demissão Voluntária Incentivada (PDVI), que ainda está em curso. “O PDVI é uma forma de reconhecer o trabalho de pessoas que se dedicaram por tanto tempo à empresa e agora estão buscando uma nova fase”, diz o dirigente.
Investimentos expressivos, em todas as áreas de atuação da Epagri, também integram a fórmula da nova versão da Empresa. Apenas em pesquisa agropecuária, houve injeção recorde de recursos nos últimos três anos: em 2025, foram R$51,7 milhões. Na extensão rural, o aporte foi de R$25,6 milhões, e a educação recebeu R$11,6 milhões, resultando em mais de R$88,9 milhões distribuídos às unidades da Epagri em todo o Estado.

Pesquisa alinhada às demandas
Na área da pesquisa, a Epagri se reorganiza para executar um trabalho ainda mais conectado com o setor produtivo e as demandas do mercado, gerando soluções para os problemas de maior impacto na agropecuária e na pesca. O foco está em inovações que ajudem os produtores a enfrentar mudanças climáticas e reduzir os custos de produção.
Em 2025, ano em que Santa Catarina comemorou meio século de pesquisa agropecuária pública, a Epagri executou 391 projetos e entregou 20 tecnologias para os produtores rurais. Entre as entregas, estão variedades de alho e banana adaptadas às condições de clima e solo do Estado, com maior produtividade, qualidade e resistência a pragas e doenças.
Uma das tecnologias que ganhou destaque foi o cultivar de arroz SCSBRS126 Dueto, lançado há dois anos pela Epagri em parceria com a Embrapa, com apoio da Udesc. Em outubro, o ‘Dueto’ foi finalista mundial do Prêmio da Aliança Global de Bioeconomia para Impacto e Liderança em Bioeconomia 2025, promovido pela Novo Nordisk Foundation, empresa sediada na Dinamarca. Em dezembro, recebeu da Fapesc o Prêmio de Inovação Catarinense Professor Caspar Erich Stemmer, na categoria Produto.

As premiações destacaram a contribuição do cultivar para a segurança alimentar e a adaptação às mudanças climáticas. Hoje, o ‘Dueto’ ocupa cerca de 60% da área plantada de arroz irrigado em Santa Catarina. O grande diferencial da variedade é a tolerância genética a temperaturas tanto altas quanto baixas na fase reprodutiva. Esses extremos são efeitos comuns das mudanças climáticas e causam grandes prejuízos às lavouras.
Extensão rural ainda mais próxima
Extensão rural se faz com presença, e em 2025, a Epagri registrou um avanço histórico, estabelecendo escritórios em 100% dos municípios catarinenses. Ao longo do ano, os extensionistas atenderam mais de 132 mil produtores e realizaram 268 mil ações técnicas, entre cursos, capacitações, dias de campo, visitas e seminários.
Outro braço importante da extensão rural é a elaboração de projetos de crédito para que as famílias rurais tenham acesso a políticas públicas. Em 2025, esse trabalho viabilizou o acesso de 10,9 mil beneficiários a R$610,5 milhões em financiamentos, impulsionando melhorias nas propriedades.
A Epagri ainda garantiu R$3,2 milhões para a formação de jovens e mulheres. Esse trabalho é fundamental para incentivar o protagonismo feminino e a sucessão familiar no campo e no mar. Em 2025, os cursos da Ação Jovem Rural e do Mar capacitaram 303 jovens de todo o Estado. O programa Flor-E-Ser atendeu 368 mulheres com formação em gestão, empreendedorismo, cooperativismo e práticas produtivas.

Sustentabilidade como norte
A sustentabilidade ambiental na produção agrícola faz parte da missão da Epagri e, hoje, a mitigação das emissões de carbono é uma meta institucionalizada. Em 2025, as tecnologias da empresa foram capazes de mitigar 8,8 milhões de toneladas de carbono equivalente em Santa Catarina – mais da metade das mitigações do Estado. Essas soluções chegaram a cerca de 19 mil empreendedores rurais, abrangendo uma área de 91 mil hectares.
Os dados são do relatório do Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono ABC+SC 2020-2030. Lançado em 2023 com a meta de mitigar 86 milhões de toneladas de carbono até 2030, o plano tem participação da Epagri e de outros órgãos do Governo, além de organizações privadas do setor agropecuário. “Os resultados mostram o compromisso da empresa com adaptação climática e produção de alimentos com menor impacto ambiental. Essa iniciativa posiciona Santa Catarina como referência nacional em práticas sustentáveis”, destaca Dirceu Leite.
Uma das tecnologias que mais contribuiu para as metas foi o Sistema Plantio Direto de Grãos (SPDG), difundido há mais de 40 anos no Estado. Nos últimos três anos, a ampliação da área plantada foi de 57 mil hectares. O SPDG protege o solo com plantas de cobertura, contribuindo para a fixação do carbono no solo e reduzindo as emissões.

Na pecuária, a Epagri está difundindo o Manejo e a Recuperação de Pastagens Degradadas como meta do ABC+SC. O avanço nos últimos três anos foi de mais de 28 mil hectares. O sistema de produção de leite e carne à base de pastagens melhora a infiltração de água, reduz a erosão e aumenta a capacidade adaptativa da pecuária em secas prolongadas.
Cadastro Ambiental Rural
As mudanças estruturais da Epagri também alcançaram a área ambiental. Em 2025, a Empresa assumiu a gestão compartilhada do Cadastro Ambiental Rural (CAR) com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Economia Verde (Semae). Para assumir esse desafio, a Epagri criou, em sua estrutura, a Divisão de Meio Ambiente e Gestão Territorial.
A empresa realizou uma força-tarefa de busca ativa que efetivou mais de 12 mil novos cadastros e quase 10 mil retificações, além da identificação de 11.647 vazios (propriedades sem cadastro). O CAR é um registro eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais e reúne as informações ambientais da propriedade, como áreas de preservação permanente, áreas de reserva legal, áreas consolidadas e vegetação nativa. Esse registro garante segurança jurídica da propriedade e valoriza a produção rural associada à preservação.
SC Rural 2: novo impulso para o setor
O ano de 2025 também ficou marcado pela fase final de elaboração do manual técnico e operacional do Programa SC Rural 2. O programa vai garantir um aporte histórico de US$150 milhões em investimentos nos meios rural e pesqueiro catarinenses nos próximos seis anos. Desse valor, US$120 milhões serão financiados pelo Banco Mundial e US$30 milhões serão contrapartida do Governo de Santa Catarina.
“Esse documento foi construído aqui nos corredores da Epagri, por profissionais da pesquisa e da extensão rural. Sabemos que vai impulsionar grandes transformações na agricultura familiar catarinense nos próximos anos”, destaca Dirceu. O aporte será injetado diretamente no meio rural para melhorar a infraestrutura, impulsionar a inovação agrícola e fortalecer a sustentabilidade ambiental.

Nova Epagri, mesmo espírito
Com uma renovação de pessoal estimada em 40% ao fim do processo de PDVI, investimentos expressivos, novas áreas de atuação e metas ambiciosas, a Epagri tem tudo o que precisa para inovar ainda mais, mas também tem o desafio de não perder sua essência.
“A Epagri é um pouco de cada um que trabalha aqui e não pode perder essa identidade. As empresas que não se reinventarem estão condenadas a sumir. Por isso, a gente tem que se reinventar, mas sem perder esse espírito Epagriano, o orgulho e o amor pelo agro que a gente carrega”, pondera o presidente.
Nos próximos anos, as famílias rurais e da pesca poderão contar com uma extensão ainda mais ágil e conectada, novas respostas e tecnologias sustentáveis geradas pela pesquisa e políticas públicas alinhadas às principais necessidades do setor. “Nas escolas, nossos alunos vão começar a ter um histórico de Epagri, uma vivência dentro dessa metodologia. Eles formarão, em Santa Catarina, um novo perfil de agricultor, pronto para o futuro”, acrescenta.
Preservando o conhecimento, o trabalho e a história construídos até aqui, depois de tantas mudanças internas, a Empresa está pronta para refletir, no campo e na mesa dos catarinenses, os resultados dessa renovação. A sociedade, agora, vai começar a conhecer a Nova Epagri.
Saiba mais sobre os resultados do trabalho da Epagri no Balanço Social 2025.
Cinthia Andruchak Freitas – Jornalista
Informações para a imprensa
Isabela Schwengber, assessora de Comunicação da Epagri
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