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Epagri desenvolve técnica para transformar casca de coco em fertilizante

Cascas de coco podem representar mais 60% do lixo recolhido nas praias de Itajaí no verão (Foto: Banco de imagens)

A Epagri se uniu à Fundação do Meio Ambiente de Itajaí (Famai) para encontrar uma solução sustentável para o destino das cascas de coco verdes geradas pela comercialização da água da fruta no município. Os pesquisadores da Estação Experimental de Itajaí (Epagri/EEI) estudaram três maneiras de transformar as casas em adubo orgânico para ser usado em hortas comunitárias e escolares, jardins da cidade ou qualquer outro cultivo rural ou urbano.

A casca de coco verde é um problema para o sistema de lixo da cidade. Durante a temporada de verão, esse material pode representar mais de 60% dos dejetos recolhidos nas praias, envolvendo um grande esforço do sistema de coleta e reciclagem dos resíduos urbanos. Atualmente esse material é destinado a aterros sanitários, mas, como é muito volumoso, diminui a vida útil desses espaços. “Devido aos importantes custos econômicos e ambientais ocasionados pela geração dos resíduos das cascas de coco, esse aspecto vem sendo tratado com preocupação pela sociedade local”, conta Rafael Ricardo Cantú, pesquisador da Epagri/EEI.

Em abril Cantú iniciou os testes para descobrir a forma mais eficiente de transformar o que era lixo em adubo orgânico. Foram comparados três métodos de compostagem. As três metodologias usam a casca de coco já moída por um equipamento que a Famai disponibilizou à Epagri para a pesquisa.

Num dos métodos, a casca de coco moída foi revolvida automaticamente por uma máquina, para promover a aeração do material. Na segunda forma testada, o ar foi inserido no resíduo orgânico com um compressor de ar. E o terceiro método testou a oxigenação natural da casca moída, sem nenhum tipo de intervenção. Esse último manejo mostrou-se o mais adequado, exigindo pouco esforço na sua produção. Depois de três messes em repouso, o material moído está pronto para ir para a horta

Agora adubo da casca de coco está sendo testado pelas Estações Experimentais da Epagri de Itajaí e de Caçador para uso na fruticultura e também como substrato, trabalho que deve estar concluído até a metade de 2018. Mas as perspectivas são boas, revela Cantú, que aponta ainda como fator positivo a inexistência de mau cheiro, produção de chorume e atração de moscas, condições presentes em muitos adubos orgânicos. “Por não ter mau cheiro, já podemos afirmar que esse composto seria adequado ao uso em meio urbano, em hortas caseiras em vasos com plantas para ambientes internos”, adianta ele.

Enquanto os testes vão sendo realizados, diversos grupos de produtores rurais ficaram interessados. Entre eles, destacam-se produtores de orquídeas e até empresas que trabalham com compostagem que têm procurado a Epagri/EEI para conhecer a técnica. A Famai também está divulgando os resultados positivos entre seu público.

A Famai pretende utilizar o fertilizante na jardinagem dentro do perímetro urbano de Itajaí, em hortas escolares e de instituições beneficentes. Ele também poderá ser distribuído a agricultores para utilização nos diversos cultivos de plantas.

Cantú revela que o fertilizante também poderá ser produzido por produtores rurais ou associações deles, pois a máquina e o sistema de compostagem têm custo baixo, acessível a pequenos agricultores. “O processo pode até mesmo gerar renda, pois a casca apresenta um elevado custo para as prefeituras e empresas de reciclagem, que poderão disponibilizar gratuitamente o material ou até mesmo pagar para os agricultores reciclarem”, prevê o pesquisador, que conta que a mesma técnica já foi usada com outros resíduos.

A pesquisa tem apoio financeiro do CNPq, da Fapesc e da Prefeitura Municipal de Itajaí.

(Publicado em Vol. 30, nº3, set./dez. 2017)

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