Pular para o conteúdo

BLOG-Epagri

Epagri de Itajaí avalia benefícios do policultivo de plantas

Áreas de policultivo desfavorecem o surgimento de pragas e doenças (Fotos: Antônio Henrique dos Santos/Epagri)

O cultivo de diferentes plantas na mesma área, conhecido como policultivo, não é uma prática nova – apenas foi deixado de lado pela maioria dos agricultores em busca de produtividades maiores. Mas analisando essa técnica mais de perto, é possível descobrir que a diversidade de plantas no mesmo espaço traz uma série de benefícios ambientais e econômicos – que podem ser maiores até que no monocultivo.

A equipe do Escritório Municipal da Epagri de Itajaí, com ajuda dos entomologistas da Empresa Erica Pereira e Ildelbrando Nora, fez uma descoberta interessante sobre os benefícios do policultivo. Eles estão monitorando o ataque da mosca-do-broto-do-aipim em propriedades rurais de Itajaí e constataram que, onde o produtor Osmar Marqui consorciava o aipim com feijão ou com milho e melancia, o ataque da mosca era bem menos severo.

Nessa propriedade, o nível de ataque da mosca em áreas de monocultivo foi de 70%. Onde o aipim estava consorciado com feijão, alcançou 53%; e onde o produtor consorciou aipim com melancia e milho, o ataque caiu para apenas 13%. O engenheiro-agrônomo Antônio Henrique dos Santos, da Epagri de Itajaí, explica que as espécies de plantas se “ajudam” de várias formas. “Num ambiente diversificado, criam-se condições para os inimigos naturais das pragas se desenvolverem. Microclimas são criados e desfavorecem algumas doenças. A dispersão de esporos de fungos também é desfavorecida e algumas plantas têm a capacidade de repelir insetos”, enumera.

Produtores da região são orientados sobre os benefícios dessa prática

Outro benefício são as micorrizas, fungos benéficos às plantas que ajudam na absorção de fósforo e água. Elas usualmente estão presentes no aipim e são favorecidas quando a planta é consorciada com milho ou adubos verdes.

Rendimento que soma

O resultado das áreas consorciadas valeu a pena também para o bolso do agricultor. Onde havia aipim e feijão, Osmar colheu 831 caixas/ha de aipim e 14,52 sacas/ha de feijão, o que resultou em rendimento de R$35.786,55 por hectare. Na área de aipim com milho e melancia, o rendimento das três culturas somou R$29.872,90 por hectare. Enquanto isso, a área onde só havia aipim plantado rendeu 554,61 caixas/ha, totalizando rendimento de R$20.104,61 para cada hectare. “Embora a produtividade de milho-verde, melancia e feijão não seja alta nessas áreas porque as culturas estão misturadas, o resultado econômico por hectare no consórcio de espécies é significativamente maior”, explica Antônio.

A equipe da Epagri fará mais um acompanhamento na propriedade para confirmar os resultados, mas os números já estão sendo divulgados para agricultores do município.

(Publicado em Vol. 31, nº3, set./dez. 2018)

 

 

Skip to content