Cooperativa impulsiona a citricultura em Celso Ramos

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Produção de laranja dá pouca mão de obra e bom retorno em áreas pequenas (Foto: Aires Mariga/Epagri)

O crescimento dos pomares de laranja é um fenômeno cada vez mais forte em Celso Ramos, no Meio Oeste Catarinense. Tudo começou em 2004, quando as famílias se organizaram e fundaram a Cooperativa dos Citricultores do município (Cocicer). No início, eram 21 associados e 21 hectares de citros. Hoje são cerca de 50 associados que colhem aproximadamente 600 toneladas em 65 hectares. E não para por aí: até 2028, com os pomares em plena produção, a previsão é atingir 2 mil toneladas de laranja e uma receita anual estimada em R$1,5 milhão.

Tamanho sucesso é fruto da união dos agricultores em parceria com a Epagri, a Cidasc e a Secretaria Municipal da Agricultura, que têm trabalhado forte para reestruturar essa cadeia produtiva. O esforço envolve organização dos produtores, assistência técnica, realização de eventos e apoio em projetos para buscar recursos.

Uma das conquistas dessa parceria foi a construção de uma unidade de classificação e armazenamento de laranja, em 2014, com investimento de R$540 mil, dos quais R$237 vieram do Programa SC Rural. Na packing house da Cocicer, as frutas são lavadas, enceradas e classificadas para ganharem mais valor de venda.

A negociação da colheita é feita em conjunto – organizados em cooperativa, os fruticultores têm mais força no mercado. E com os resultados, estimulam outras famílias a entrarem no time. “O sucesso desse trabalho é a participação efetiva dos agricultores familiares na tomada de decisão, na compra e na venda conjuntas, incentivando novas famílias a adotarem a fruticultura em suas propriedades com uma atividade sustentável nas áreas social, de renda e ambiental”, resume Mauro Ros, extensionista da Epagri em Celso Ramos.

Áreas pequenas

Vilson Ferri, vice-presidente da Cocicer, investiu na produção de laranja há oito anos e está satisfeito com o retorno da atividade. “É uma cultura que dá pouca mão de obra, produz bem em pouco espaço e até em terreno difícil. Para o pequeno agricultor, é uma boa opção de renda”, explica.

Na propriedade de 25 hectares, ele cultiva 4 hectares de laranja folha murcha, uma variedade que produz de outubro a fevereiro e tem boa qualidade para suco e consumo in natura. Na última safra, Vilson colheu 40t/ha e vendeu a uma média de R$0,80 o quilo, o que rende cerca de R$32 mil por hectare. Mas assim como os outros associados, ele quer multiplicar as laranjas: “Em dois ou três anos, vou ter 6 a 7 hectares plantados.”

FORÇA NA FRUTICULTURA CATARINENSE

Em número de produtores, o cultivo de frutas cítricas ocupa a quarta posição na fruticultura catarinense. São 1,7 mil famílias com uma área plantada de 1,8 mil hectares, alcançando Valor Bruto de Produção (VBP) de R$17 milhões. Na safra 2015/16, a colheita alcançou 26.841 toneladas – desse total, 19.555 toneladas são de laranja e 7.199 toneladas são de tangerina, de acordo com o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).

No Meio Oeste do Estado, a cultura da laranja ocupa a segunda área de produção entre as frutas. “O volume colhido na nossa região representa 33% da produção catarinense de laranja”, acrescenta o extensionista Mauro Ros.

(Publicado em Vol. 32, nº1, jan./abr. 2019)