Projeto da Epagri na Serra Catarinense ganha prêmio ambiental

Desafio foi encontrar áreas com grande diversidade ambiental para instalar módulos de pesquisa (Foto: Luiz Fernando Vianna/Epagri)

O trabalho de caracterização ambiental realizado pela Epagri no Parque Nacional de São Joaquim, na Serra Catarinense, recebeu o 23º Prêmio Expressão de Ecologia – a mais importante condecoração da área ambiental no Sul do País. A ação faz parte de um projeto desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) dentro do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio). Criado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia em 2004, o PPBio integra projetos em diversas regiões do País para avaliar e monitorar a biodiversidade, acompanhando os impactos das mudanças climáticas no longo prazo.

No projeto do Parque Nacional de São Joaquim, o papel da Epagri foi fazer uma caracterização da diversidade ambiental para definir os melhores locais para implantar os módulos de pesquisa do PPBio. Esses módulos fazem parte do método chamado Rapeld, que padroniza internacionalmente as amostras de biodiversidade. São áreas delimitadas, medindo 5km por 1km, onde pesquisadores de diversas áreas estudam e monitoram todos os grupos de animais e vegetais presentes: de fungos a árvores e de formigas até grandes mamíferos.

O desafio da equipe foi encontrar locais acessíveis e com a maior variabilidade ambiental possível para instalar esses módulos. “Quanto mais heterogêneo é o ambiente, com altitudes e climas diferentes, temperaturas variadas, maior é a probabilidade de a biodiversidade ser heterogênea nesse espaço”, explica Luiz Fernando Vianna, biólogo e pesquisador do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Epagri/Ciram). Segundo ele, a altitude do parque varia de 600 a 1.800 metros. “Só isso já representa um impacto climático que cria uma grande diversidade ambiental”, aponta.

Variáveis ambientais

A heterogeneidade ambiental do parque foi descrita e avaliada a partir da análise de 21 variáveis, incluindo altitude, índice de rugosidade do terreno, declividade, horas de sol, curvatura e índice de posição topográfica. Para gerá-las, foram usados dados de sensoriamento remoto e observações de campo. Também foi avaliado o acesso viário ao interior do parque.

Ao longo de 2013 e 2014, a equipe identificou quatro áreas potenciais para implantar os módulos de pesquisa e instalou dois deles. O terceiro módulo previsto no projeto deve ser implantado em uma das áreas restantes.

Graças a esse trabalho, hoje o parque conta com infraestrutura para receber pesquisas na área de biodiversidade. “Estudos que investigam a associação de variáveis ambientais com a biodiversidade são essenciais para prever a distribuição de espécies e modelar as mudanças decorrentes de fatores externos, tornando o processo de criação e consolidação das unidades de conservação mais eficaz”, ressalta o biólogo da Epagri.

O Parque Nacional de São Joaquim foi criado em 1961 para conter o desmatamento da araucária. Abrangendo 49,3 mil hectares, é uma das unidades de conservação mais visitadas no Brasil. O principal cartão-postal é o mirante do Morro da Igreja, que tem vista para a Pedra Furada. O parque é administrado pelo ICMBio, que promove ações de pesquisa e educação ambiental.

O prêmio

Reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente, o Prêmio Expressão de Ecologia é realizado anualmente desde 1993. O objetivo é divulgar e disseminar os esforços de empresas e instituições no sentido de diminuir os impactos da poluição no meio ambiente e contribuir para a conservação dos recursos naturais e o desenvolvimento da consciência ambiental.

(Publicado em Vol. 29, nº2, mai./ago. 2016)