2016 é o Ano Internacional das Leguminosas

Essas culturas são fontes de proteínas e fornecem uma série de nutrientes (Foto: Aires Mariga/Epagri)

A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), declarou 2016 como o Ano Internacional das Leguminosas. O objetivo é incentivar atividades colaborativas com governos, empresas, entidades civis e organizações não governamentais para conscientizar a população sobre os benefícios desses alimentos na nutrição, na agricultura sustentável e na segurança alimentar.

A família botânica das leguminosas é uma das maiores e está bem distribuída por todo o planeta. Uma das características desse grupo são os frutos do tipo vagem. Os exemplos mais conhecidos na alimentação são o feijão, a ervilha, a lentilha, a soja, a fava e o grão-de-bico. Essas culturas são fontes de proteínas e fornecem uma série de nutrientes à alimentação humana, como ferro, magnésio, potássio, fósforo, zinco e vitaminas do complexo B. Entre 20% e 25% do peso delas corresponde a proteínas – isso equivale ao dobro do teor de proteína encontrado no trigo e ao triplo do arroz. As sementes dessa família também são ricas em fibras, pobres em gordura e têm baixo índice glicêmico (um indicador do efeito do açúcar no sangue).

O feijão, originário da América Central, é difundido em todo o mundo como a principal leguminosa comestível. A produção mundial nos últimos anos tem ficado em torno de 22 milhões de toneladas. O Brasil, a Índia e Mianmar são os três principais países produtores.

Embora façam parte da dieta humana há milhares de anos e sejam importantes para combater a desnutrição, as leguminosas ainda não alcançaram o mesmo aumento de produção do milho, do trigo e do arroz nos últimos 50 anos. Por conta disso, a FAO aposta na sensibilização sobre a importância dessas culturas para ajudar a aumentar a produção, estimular novas pesquisas e garantir que haja leguminosas disponíveis para o consumo mundial.

Agricultura sustentável

As plantas dessa família podem ser usadas em diferentes sistemas de produção agrícola, como rotação e consórcio de culturas, além de servirem como plantas de cobertura para melhorar a fertilidade do solo. Um atributo importante é a capacidade dessas plantas de fixar biologicamente o nitrogênio no solo. Em simbiose com certos tipos de bactérias, elas transformam o nitrogênio atmosférico em compostos nitrogenados que podem ser utilizados pelas culturas em crescimento.

Estima-se que as leguminosas possam fixar entre 72kg e 350kg de nitrogênio por hectare a cada ano. Além disso, algumas espécies são capazes de liberar fósforo no solo, outro nutriente importante para as plantas. Essas duas características ajudam a reduzir significativamente o uso de fertilizantes nas lavouras. As leguminosas também são usadas na alimentação animal, na produção forrageira, no reflorestamento e na produção de madeiras nobres – alguns exemplos são o jacarandá, a cerejeira e o jatobá.

Fonte: FAO. Mais informações no site: www.fao.org/pulses-2016/en/

(Publicado em Vol. 29, nº2, mai./ago. 2016)