Revitalização da pesquisa agropecuária de Santa Catarina

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Foto: Aires Mariga/Epagri

Investimento em pesquisa constitui-se um dos pilares mais importantes para o desenvolvimento de um país. Essa importância aumenta ainda mais quando a atividade está relacionada à produção de alimentos necessários para a sobrevivência da humanidade. Os dados da FAO indicam que teremos em 2050 o desafio de alimentar 9,3 bilhões de seres humanos, ou seja, em apenas 35 anos serão mais 2 bilhões de pessoas a serem atendidas.

Um dos compromissos assumidos pelo Brasil para suprir essa necessidade é o de aumentar em 40% a sua produção de alimentos. Dentro deste contexto, Santa Catarina se destaca positivamente: embora tenha apenas 1,13% do território nacional e seja o vigésimo entre os estados brasileiros, ocupa a quinta posição na produção de alimentos. Muitos recursos foram aplicados para atingir essa posição, principalmente nas décadas de 70 e 80, quando foram criados os sistemas nacional e estadual de pesquisa agropecuária.

Nos anos 90 e no início do século 21, em função de diversos fatores, os recursos destinados à pesquisa agropecuária foram reduzidos e no que diz respeito a modernização das estruturas físicas ou renovação de recursos humanos aplicou-se muito pouco.

Diante do desafio de aumentar a produção de alimentos e da necessidade de desenvolver e ajustar o setor agropecuário às novas tecnologias, os governos federal e estadual restabeleceram, nos últimos anos, programas de investimentos em ciência e tecnologia, com aportes significativos.

No caso da Epagri não foi diferente. De 2008 a 2014, somente na rubrica de investimentos, os valores foram superiores a 50 milhões de reais. Os recursos são indispensáveis para modernizar e adequar a infraestrutura (estruturas físicas e equipamentos) que gera novos conhecimentos disponibilizados aos agricultores, pecuaristas e maricultores.

Em pesquisa, poder contar com recursos humanos qualificados é condição sine qua non para o sucesso. Desse modo, a Epagri vem ao longo dos anos qualificando o seu corpo técnico através de capacitação stricto sensu em nível de doutorado e contratando novos pesquisadores. Somente em 2014 foram contratados 33 novos técnicos com grau de doutorado para a execução de pesquisas aplicadas ao setor. A meta da Epagri é atingir até o final de 2015 a marca de 130 doutores atuando diretamente em projetos nas diversas unidades de pesquisa no Estado de Santa Catarina.

Com uma estrutura sólida distribuída nas diferentes regiões do Estado e um quadro funcional qualificado, a Epagri está preparada para transformar esses investimentos em resultados aplicados, atendendo de forma mais assertiva a demanda do setor agropecuário catarinense. Os desafios que ora estão postos são: a busca por maior produtividade e qualidade dos produtos agropecuários; o uso do melhoramento genético na obtenção de cultivares adaptadas às mudanças climáticas; a busca de alimentos que apresentem maior valor nutricional e nutracêutico como forma de proteger a população, reduzindo possibilidades de doenças e enfermidades e garantindo saúde a sua população; na agricultura de precisão, a integração de diferentes áreas tais como mecânica, informática, física, entre outras, tem como objetivo utilizar insumos e técnicas exatamente de acordo com as necessidades, diminuindo assim o impacto ambiental da atividade agrícola, além de reduzir e humanizar a mão de obra necessária para manter as atividades do campo; a aplicação de técnicas inovadoras que reduzam a emissão de gases de efeito estufa; a recuperação das áreas degradadas existentes como forma de utilizar somente as áreas já desbravadas, evitando que novas áreas tornem-se alvo para uso agrícola; e também a busca de alternativas de fertilizantes que possam substituir os atuais e evitar o esgotamento de algumas fontes que, como se sabe, não são infinitas.

Toda essa transformação requer planejamento e acima de tudo persistência. A implementação de projetos de pesquisa deve ser integrada ao conceito de produção sustentável. Além de ambientalmente corretas e socialmente adequadas, as atividades devem proporcionar rentabilidade aos produtores, pois somente assim poderemos viabilizar a permanência dos agricultores no meio rural.

Com os novos recursos disponíveis e a busca persistente pela qualificação das ações, nossa expectativa é que a Epagri seja cada vez mais reconhecida pelo trabalho realizado em pesquisa e inovação. Assim, além de um Estado com produção invejável de alimentos, Santa Catarina será sempre um exemplo para o Brasil.

Luiz Antonio Palladini[1]

[1] Engenheiro-agrônomo, Dr. Epagri/Sede, Florianópolis, SC, e-mail: palladini@epagri.sc.gov.br

(Publicado em Vol. 28, nº2, ago./dez. 2015)