Epagri reativa banco de germoplasma de cebola

Uma parceria entre a Epagri e a Embrapa Clima Temperado, de Pelotas (RS), viabilizou a reativação do banco de germoplasma de cebola da Estação Experimental de Ituporanga. Ainda em 2014, a Estação enviou quatro pesquisadores a Pelotas para discutir e viabilizar a parceria entre as instituições e possibilitar a transferência de materiais genéticos. Em janeiro deste ano, o banco foi reativado.

Embora a Estação já contasse com a estrutura física necessária e alguns materiais genéticos ainda estivessem preservados, o trabalho nessa área precisava ser retomado. “A parceria com a Embrapa está sendo importante porque aproximou os grupos de pesquisa das duas instituições, permitindo a troca de experiências. Além disso, eles estão ajudando a enriquecer nosso banco com o envio de materiais”, destaca o pesquisador Daniel Pedrosa Alves.

Hoje o banco da Epagri conta com cerca de 30 acessos (materiais genéticos distintos). A Embrapa já forneceu três acessos e deve enviar outros ainda neste ano. Todos são do sul do Brasil, mas a equipe tem interesse nos mais diversos materiais, desde que seja possível multiplicá-los. “Temos interesse especial em materiais crioulos que são conservados por agricultores. No mês de fevereiro um agricultor nos doou dois acessos”, conta o pesquisador.

O banco armazena sementes em câmaras frias e secas com temperatura média de 17°C e umidade relativa próxima aos 35%. Anualmente, os pesquisadores farão testes de germinação dessas sementes. Quando a capacidade de germinar estiver próxima ou abaixo de 70%, os materiais serão multiplicados em campo. O objetivo é mantê-los em condições de ser usados em experimentos para o melhoramento genético de hortaliças. 

RESERVATÓRIO DE GENES PARA O FUTURO

A conservação de recursos em bancos de germoplasma é uma forma de evitar que os materiais que não têm uso imediato sejam perdidos e garantir que a variabilidade genética das espécies não desapareça com o tempo. “Com o constante lançamento de novos cultivares, principalmente os híbridos, parte dessa variabilidade vai se perdendo, pois os agricultores adotam os cultivares modernos e abandonam os materiais tradicionais ou crioulos. Cabe, então, aos órgãos oficiais de pesquisa ou ONGs procurar conservar essa variabilidade”, explica Daniel Pedrosa Alves, pesquisador da Epagri.

Os bancos de germoplasma também são fundamentais para o trabalho de melhoramento genético. Eles servem como reservatórios de genes onde os pesquisadores buscam material para desenvolver novos cultivares com características que interessam à sociedade, como maior produtividade, resistência a doenças e maior tolerância à seca. “Esse potencial uso futuro de alguns materiais é muito importante para a manutenção da aptidão do estado de Santa Catarina para a cultura, haja vista que a adaptação dos cultivares às constantes alterações climáticas que o mundo vem sofrendo passará invariavelmente por esses recursos”, ressalta o pesquisador.

(Publicado em Vol. 28, nº2, ago./dez. 2015)