Empunhando orgulhosas as bandeiras de seus municípios, cerca de 300 agricultoras de 12 municípios da região de Joinville compareceram ao 21º Encontro Regional de Agricultoras, promovido pela Epagri em 20 de agosto, no Parque Municipal de Eventos Ademar Frederico Duwe, em Jaraguá do Sul. Durante todo o dia, elas puderam trocar experiências, matar as saudades das companheiras e receber informações valiosas de educação financeira, políticas públicas, saúde e motivação para fortalecer o papel da mulher no setor agrícola.

Participaram comitivas de Araquari, Barra Velha, Corupá, Garuva, Guaramirim, Itapoá, Joinville, Massaranduba, São Francisco do Sul, São João do Itaperiú e Jaraguá do Sul. Apenas Barra do Sul não estava representado porque participa do encontro de pescadoras.
Entre as autoridades, estavam presentes o gerente regional da Epagri em Joinville, Hector Haverroth, o secretário do Conselho de Desenvolvimento Rural da Secretaria de Agricultura e Pecuária, Paulo Arruda, o prefeito de Jaraguá do Sul, Jair Franzer, a vice-prefeita de Garuva, Marli Terezinha Leandro Simmerman, o vice-prefeito de Barra Velha, Juliano Bernardes e a secretária de agricultura de São Francisco do Sul, Sueli Marcondes.
A primeira palestra foi da extensionista social da Epagri em Itapiranga, Alésia Lauschner, que falou sobre plantas medicinais. Em seguida, a extensionista rural e engenheira-agrônoma, Maria Luiza Tomazi Pereira, da Gerência Regional da Epagri em Itajaí, falou de forma descomplicada sobre como ter acesso às políticas públicas para empreender no campo, recursos e cursos disponíveis, além de apresentar casos de sucesso.
Descobrir a própria potência é motor para empreender
Após a palestra sobre educação financeira do Sicredi, foi a vez da psicóloga Claudia Negreiros, especialista em gestão de pessoas e inteligência emocional, dar a palestra “Coração valente e pensamento livre”. Segundo Claudia, muitas vezes, a mulher não foi educada para ter autonomia, delegando a responsabilidade e as decisões para outras pessoas, como pais e marido. Por isso, ela trabalha para que as mulheres quebrem crenças limitantes e assumam o papel de protagonistas de suas histórias e dos negócios familiares.
“Outra coisa muito importante é a sororidade, é a mulher apoiar outra mulher. Seja entre mãe e filha, entre irmãs, entre amigas, que elas possam conversar e se apoiar mutuamente. Deixar de lado sentimentos negativos e trazer palavras de incentivo, de reconhecimento e de empoderamento para quem deseja empreender”, recomenda.
Para Claudia, a mulher do campo tem tanto potencial quanto o homem ou qualquer outra mulher, de qualquer outro lugar. “Até após a perda de pessoas ou de safras, que impactam financeiramente toda a família, pode surgir ali uma oportunidade para tentar algo novo. Não importa as condições que a vida lhe dá, e sim como ela enxerga tudo isso e transforma do melhor jeito que puder”, acredita.

Muitos mais que ‘ajudantes’: elas querem ser protagonistas da própria história
Que o diga Sandra Rodrigues Lenza, 54 anos, produtora de hortaliças da comunidade Rio Cerro, em Jaraguá do Sul. Ela conta que já perdeu a conta das vezes que a plantação foi devastada por enchentes, granizo e ventos fortes. Através do curso Flor-E-Ser, promovido pela Epagri para o público feminino, a agricultora está colocando em prática o plano de negócio para construção de um cultivo abrigado de 500m², para continuar produzindo legumes e verduras para as escolas municipais.
“Encontros como esses são importantes para a gente não desmotivar. As extensionistas da Epagri sempre trazem coisas novas para superar essas adversidades e cursos onde a gente aprende que somos importantes para o negócio da família. Antes, era só o meu marido que participava dos eventos da Epagri, hoje eu participo também”, revela.
A gestora do Centro de Treinamento da Epagri em Joinville, Daniela Martins Guimarães Nunes, disse que, graças ao Flor-E-Ser, as mulheres do campo estão entendendo que suas ideias são boas também e podem, inclusive, serem decisivas para o fortalecimento da atividade.
“A mulher tem uma importância grande dentro do núcleo familiar porque é um elo entre gerações. Muitos filhos veem nela uma porta aberta para começar a participar das decisões, então, ela também desempenha um papel importante na sucessão familiar”, destaca.
Daniela ressaltou que o papel da Epagri dentro da extensão social e rural é fazer com que essas mulheres não se vejam apenas como ajudantes de seus esposos, mas peça fundamental na economia agrícola, tomada de decisão, para além da mão de obra.
Por Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc
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