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Epagri monitora colmeias e auxilia apicultores com informações precisas em tempo real

Uma tarefa difícil, por vezes até arriscada, mas de fundamental importância para a natureza e para uma atividade que movimenta a economia e garante o sustento de centenas de famílias catarinenses. 

Assim é o monitoramento apícola realizado pela Epagri, por meio do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Epagri/Ciram), em sete municípios do Estado: Bocaina do Sul, Caçador, Canoinhas, Imaruí, São Joaquim, São Miguel do Oeste e Videira.

Fruto de um projeto de pesquisa, o trabalho consiste em colmeias conectadas a estações agrometeorológicas que medem variáveis como chuva, molhamento foliar, temperatura, umidade relativa do ar e peso do mel produzido.

Manutenção das estações é realizada com equipamentos de proteção individual.
(Fotos: Pablo Gomes/Epagri)

Os dados são transmitidos automaticamente e divulgados na plataforma Apis On-line. Com base nas informações, apicultores, pesquisadores e outros profissionais podem observar as condições meteorológicas que influenciam a produção de mel. 

Uma das funções do projeto é auxiliar os interessados na tomada de decisões. Em Bocaina do Sul, a finalidade inicial foi subsidiar os estudos que apoiaram a criação da Indicação Geográfica (IG) do Mel de Melato da Bracatinga do Planalto Sul Brasileiro.

“É um tesouro catarinense. O mel de melato, que não é floral, tem as suas qualidades naturais específicas. Ele depende da saúde do ambiente e dos organismos vivos, como a cochonilha e a abelha. Por isso nós fazemos este monitoramento com o objetivo de municiar a apicultura com tecnologia digital e informações pertinentes”, diz o engenheiro-agrônomo Hamilton Justino Vieira, pesquisador da Epagri/Ciram e coordenador do projeto.

Mel produzido em Bocaina do Sul é consumido na Europa, EUA e China

Manutenção das estações exige habilidade e concentração

Para que as informações sejam captadas e transmitidas com precisão, os equipamentos da Epagri precisam estar sempre em perfeitas condições. Por isso, o trabalho de manutenção é constante.

Um dos responsáveis por esta importante atribuição é o técnico de meteorologia Rafael Ataide de Araujo. Ele lembra que a Epagri/Ciram tem mais de 200 estações em Santa Catarina, entre meteorológicas, agrometeorológicas e hidrológicas. 

Rafael explica que o trabalho é praticamente o mesmo em todos os aparelhos: verificar se funcionam sem problemas, corrigir eventuais falhas, fazer a limpeza adequada e a manutenção preventiva. A principal diferença é que, no caso do monitoramento apícola, o profissional está cercado por centenas ou milhares de abelhas.

“Temos que usar equipamento de proteção individual, e esta é a maior dificuldade, especialmente no manuseio. É preciso tomar todo o cuidado para não alvoroçar as abelhas, pois elas estão ali sobrevoando, querendo fazer a defesa das colmeias. Tem também o calor da roupa, que torna o trabalho mais cansativo e demorado. Mas é muito importante e nunca deixamos de fazer”.

O apicultor José Charles e a extensionista rural Thayse Cristine

Epagri apoia apicultor com orientações técnicas e kit apicultura

Em Bocaina do Sul, o escritório municipal da Epagri apoia os produtores com capacitações e orientações técnicas. Além disso, disponibiliza o Kit Apicultura, pelo qual os apicultores podem adquirir itens como caixas padronizadas, alimentadores, fumigadores, macacão, centrífugas e todos os equipamentos necessários à atividade, além do programa de abelhas rainhas, que possibilita o melhoramento genético do apiário. 

“É uma satisfação ver o mel saindo aqui de Bocaina do Sul e ganhando o mundo, pois tem uma qualidade superior, com indicação geográfica e qualidade reconhecida”, diz a engenheira agrônoma Thayse Cristine Vieira Pereira, extensionista rural da Epagri no município.

“A parceria com a Epagri é muito importante, pois sempre que precisamos, os profissionais estão prontos para nos servir e ajudar”, conclui o apicultor José Charles Becker, que produz cerca de 15 a 20 toneladas por ano e cujo mel é consumido em países da Europa, China e Estados Unidos.

Por Pablo Gomes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc

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