Após a colheita da safra de arroz 2025/26 é chegada a hora de fazer um balanço dos pontos positivos e os ajustes necessários para que o custo de produção não fique acima dos valores recebidos pelos produtores na hora da comercialização. Para apontar caminhos e apresentar as tecnologias desenvolvidas na Estação Experimental de Itajaí (EEI), foi realizada, no dia 3 de março, uma Reunião Técnica na propriedade de Elmar Bailer, em Gaspar. O evento reuniu 60 produtores e contou com profissionais da Epagri/Ciram, que fizeram um diagnóstico agrometeorológico e as previsões climáticas para 2026/27.

“Num ano de supersafra como este, em que sobrou produto no mercado, provocando baixa rentabilidade, é ainda mais importante fazer o uso racional dos insumos, plantar na época certa e fazer ajustes no manejo durante a entressafra. A técnica do rolo-faca elimina boa parte das ervas daninhas e reduz significativamente o gasto com herbicida, contribuindo, inclusive, para a diminuição de gases de efeito estufa”, afirmou o engenheiro-agrônomo e pesquisador Estação Experimental da Epagri em Itajaí, Marcos Lima Campos do Vale.
A partir de experimentos realizados na EEI, Marcos mostrou que o rolo-faca deixa o terreno mais aerado e é mais eficiente do que a rotativa e a grade, que enterram as sementes. E que é possível adquirir o implemento agrícola através do programa Protegendo o Solo e Cultivando a Água, que financia até R$30 mil por família ou até R$100 mil em projeto coletivo, processo realizado pelos escritórios municipais da Epagri.
Marcos também apresentou as estratégias do programa SC + Arroz, realizado pela Epagri para aperfeiçoar o sistema de produção e auxiliar os produtores a desenvolverem ferramentas de planejamento para obterem uma melhor rentabilidade. “A ideia é demonstrar na lavoura do produtor como o uso das técnicas disponibilizadas pela Epagri são fundamentais para obter uma maior eficiência na atividade agrícola. O importante não é só produzir muito, mas ganhar mais, de acordo com o que foi investido”, argumenta.
Por isso, o pesquisador não recomenda o cultivo da ‘soca’, quando é aproveitado o rebrote após a colheita da primeira safra. “O produtor perde cerca de 22% de produtividade com a semeadura antecipada para o cultivo da soca. Se o retorno financeiro não for superior a esta perda não adianta ter duas safras”, enfatizou.
Outro ponto importante trazido pelo pesquisador é o manejo adequado da água, que passa por ter uma reserva, fazer a reforma de taipas, o nivelamento, dimensionar a área plantada para que seja sustentável economicamente e caprichar na drenagem na entressafra, especialmente em anos chuvosos. Ele também reforçou a utilização de tecnologias de informação como o Observatório Agro Catarinense, o Agroconnect e o EpagriTec, para a produção ganhar eficiência e sustentabilidade.
Epagri/Ciram elabora laudo meteorológico para comprovar perdas

Mais cedo, a pesquisadora agrometeorológica da Epagri/Ciram, Valeria Pohlmann, fez um diagnóstico da safra 2025/26, marcado pelo fenômeno La Niña, que se caracteriza por temperaturas amenas e dias mais secos, e sua influência na produção de arroz. Ela destacou a época correta do plantio para ter acesso à crédito e demonstrou como funciona a estação meteorológica, equipamento instalado em centros de pesquisa, propriedades rurais e outros pontos estratégicos, que coleta dados de precipitação pluvial, radiação solar, temperatura, umidade e velocidade e direção do vento. Hoje, são 273 estações meteorológicas e agrometeorológicas no Estado que compõem a rede gerenciada pela Epagri/Ciram.
Já o técnico em meteorologia Maikon Passos Alves apresentou as previsões meteorológicas para a próxima safra, que há uma tendência de ser influenciada pelo fenômeno El Niño a partir de setembro, com uma tendência maior de chuva. Ele lembrou da importância de utilizar as ferramentas disponíveis no site da Epagri/Ciram, como o Agroconect, em que é possível acessar dados sobre temperaturas máxima e mínima, acumulado de chuva e previsão de geadas. E destacou que é importante ir acompanhando as notícias no site da Epagri/Ciram para verificar se a tendência de El Niño se confirma.
Além disso, a Epagri/Ciram elabora laudos técnicos comprovando a ocorrência de determinados fenômenos climáticos que provocam perdas na lavoura. “Em Santa Catarina, o que mais influencia o clima é o relevo. Quem vive mais próximo do mar é influenciado pela ação termo-reguladora do oceano, que equilibra a temperatura”, explica.
Monitoramento de graus-dia garante eficiência no manejo
A engenheira-agrônoma e extensionista rural de Gaspar, Natália Antunes, apresentou as características de seis cultivares de arroz desenvolvidas na EEI: SCS116 Satoru, SCS121 CL, SCS122 Miura, SCS125 Olímpio, SCSBRS126 Dueto e SCS127 CL. Ela destacou características como produtividade, resistência à doenças e pragas, manejo e mostrou como obter o melhor resultado.
A extensionista também divulgou a avaliação dos cultivares na Unidade Demonstrativa na propriedade de Elmar Bailer e apresentou como foi conduzida a lavoura, observando pontos fundamentais para que alguns tipos de manejo, como a adubação, sejam mais eficientes, como o monitoramento de graus-dia.
“A velocidade com que a planta de arroz atinge cada estágio de desenvolvimento está diretamente relacionada com a temperatura do ar. O método graus-dia considera a resposta da planta às variações de temperatura e, a partir disso, é possível prever as datas-chave do seu desenvolvimento para potencializar a eficiência do manejo”, afirmou.
Por: Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc
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