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Dia da Ciência e do Pesquisador: como pesquisa da Epagri colabora com os objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas

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O Brasil comemora em 8 de julho o Dia da Ciência e do Pesquisador, profissional que tem entre seus propósitos melhorar a vida da humanidade. Na Epagri, a pesquisa agropecuária contribui de forma significativa para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), eles têm como meta erradicar a pobreza, proteger o meio ambiente e garantir paz e prosperidade até 2030.

Tecnologias desenvolvidas pela Epagri contribuem para a segurança alimentar e a mitigação dos efeitos adversos das mudanças do clima (Foto: Aires Mariga/Epagri)

De um total de 17 Objetivos da ONU, 12 são impactados por tecnologias da Epagri. Como não poderia deixar de ser, o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável) é de longe o mais beneficiado. De acordo com o Balanço Social 2005, o retorno social de investimentos feitos pela Epagri em pesquisas que impactam o ODS 2 alcançou R$5,7 bilhões no período, 71% do total.  

Uma das metas do ODS 2 é dobrar a produtividade agrícola e a renda dos pequenos produtores até 2030. Para isso, a ONU reforça a necessidade de investir em pesquisa e extensão de serviços agrícolas. Assim, espera-se acabar com a fome e garantir alimentos seguros e nutritivos. O Objetivo também busca a manutenção de sistemas sustentáveis de produção e práticas agrícolas resilientes às mudanças climáticas. 

Pastagens produtivas e sustentáveis

A difusão do sistema de leite à base de pasto é a tecnologia da Epagri que mais contribuiu com o ODS 2 em 2025. O retorno social dos investimentos feitos no modelo alcançaram R$461,9 milhões no período. Mais de 92 mil hectares foram impactados com a tecnologia no estado. “O primeiro grande mérito do modelo é transformar o pasto, recurso que não serve para a alimentação humana, em proteína de alta qualidade para a sociedade”, afirma Tiago Baldissera, coordenador do Programa Pecuária da Epagri. 

O pesquisador acrescenta que a pecuária à base de pasto reduz drasticamente a dependência de rações concentradas, como por exemplo fórmulas que utilizam grãos como milho, soja e trigo. “O sistema pastoril diminui a competição por grãos que poderiam ser consumidos diretamente pelas pessoas. Além disso, ele ocupa e torna produtivas áreas onde o cultivo de grãos muitas vezes não seria viável”, observa Baldissera. 

Pecuária à base de pasto aumenta a produtividade ao mesmo tempo em que contribui para a agricultura sustentável (Foto: Aires Mariga/Epagri)

Aumentar a eficiência da produção gerando mais renda para a agricultura familiar, uma das metas do ODS 2, é o foco das pesquisas feitas pela Epagri na área. Segundo Baldissera, os estudos miram o aprimoramento da pecuária à base de pasto, principalmente do manejo. “Buscamos aumentar a eficiência de produção tanto de pasto quanto de leite e carne, focada na conversão alimentar dos animais”, explica.

O sistema pastoril também colabora com a perspectiva ambiental do ODS 2, a agricultura sustentável. Ao manter o solo coberto durante todo o ano, o pasto aumenta a capacidade de infiltração de água da chuva, protege a terra contra a erosão e evita o assoreamento de cursos d’água. “As pastagens ainda funcionam como poderoso sequestrador de carbono, ajudando a mitigar a emissão de gases de efeito estufa, desde que manejadas de forma correta”, destaca o pesquisador. 

Solo rico e protegido

O segundo Objetivo mais impactado pelas tecnologias desenvolvidas pela Epagri é o ODS 13 (Ação contra a Mudança Global do Clima). O retorno social de investimentos da Empresa em tecnologias que contribuem para combater os efeitos adversos das mudanças climáticas chegou a R$964,5 milhões. Na Epagri, uma tecnologia que corrobora expressivamente com as metas do ODS 13 é o sistema de plantio direto, com destaque para o cultivo de grãos (SPDG). 

O sistema se baseia na manutenção do solo coberto por plantas vivas ou mortas, introduzindo na lavoura as plantas de cobertura, também conhecidas como plantas de serviço ou adubos verdes. Elas têm a função de proteger e enriquecer o solo, evitando a erosão e acumulando matéria orgânica que melhora os indicadores químicos, físicos e biológicos do terreno. O plantio direto também dispensa o revolvimento da terra fora da linha de semeadura, o que contribui para a fixação do carbono no solo, mitigando a emissão de gases de efeito estufa. 

Sistema de plantio direto protege o solo do excesso e da falta de água e ajuda a fixar carbono na terra (Foto: Aires Mariga/Epagri)

O pesquisador Júlio César Ramos, especialista em ciência do solo, alerta que para atingir os benefícios do SPDG de forma satisfatória, o produtor deve implementar um conjunto de preceitos da agricultura conservacionista, que vão além do uso de plantas de cobertura, incluindo, por exemplo, o terraceamento, estruturas construídas em nível para reter a água da chuva na lavoura. Ele explica que a eficácia do uso das plantas de cobertura tem um limite, sendo preciso adotar as demais práticas conservacionistas para proteger o solo e manter e aumentar a produtividade das lavouras.

“As práticas conservacionistas de suporte vão atuar tanto nos anos que chove muito, diminuindo os problemas relacionados à erosão, quanto nos anos que chove pouco, mantendo a água na lavoura. Pesquisas demonstram que áreas onde há manejo do solo com implantação do cultivo de milho e soja em nível junto do terraço, há ganhos de produtividade entre 10 e 15%. Mas tudo isso tem que ser feito com rigor técnico”, afirma Ramos. 

Por Cléia Schmitz, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc

Informações para a imprensa
Isabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri
(48) 3665-5407 / 99161-6596

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