Os produtores catarinenses que já iniciaram ou estão planejando realizar o segundo plantio de milho, conhecido como safrinha, devem redobrar os cuidados com o manejo inicial das lavouras. Isso porque, segundo a pesquisadora da Epagri/Cepaf, Maria Cristina Canale, responsável pelo programa Monitora Milho SC, “existe uma condição perfeita para a ocorrência dos enfezamentos do milho. Temos um grande número de insetos infectados no ambiente, com plantas em sua fase mais crítica (entre a emergência e V4) e um clima quente, que favorece a ocorrência de cigarrinhas-do-milho”.

O levantamento realizado entre os dias 26 de janeiro e dois de fevereiro indica que a média estadual é de 79 insetos por armadilha por local. Maria Cristina destaca que houve uma redução populacional, que há três semanas chegou a registrar uma média de 100 cigarrinhas por armadilha. Ela atribui essa redução ao manejo realizado pelos agricultores durante a fase inicial dos plantios. Entretanto, a pesquisadora salienta que os cuidados devem ser redobrados. “A fase inicial é considerada crítica para a inoculação com os patógenos que causam os enfezamentos e viroses do milho. No entanto, os sintomas só se tornam visíveis mais tarde, quando a planta já está próxima da fase adulta”, diz.
Outro fator importante observado é a presença da bactéria do espiroplasma do enfezamento-pálido. Maria Cristina destaca que esse dado merece atenção, principalmente pela agressividade dessas bactérias no desenvolvimento das plantas. Além disso, levantamentos de safras anteriores já haviam mostrado a mesma tendência: o aumento da presença do espiroplasma em determinados períodos do ano. Na última semana, os municípios que registraram presença da bactéria causadora do enfezamento-pálido foram Mafra e Major Vieira, no Planalto Norte, Campo Belo do Sul, no Planalto Sul, Faxinal dos Guedes, no Oeste, além de Irati e Tunápolis, no Extremo-Oeste. Deste modo, a recomendação é que os produtores realizem uma boa regulagem de máquinas para evitar perda de grãos durante a colheita, evitem semear o segundo plantio em áreas muito próximas à lavouras já maduras e realizem o manejo inicial com inseticidas de contato aliado ao uso de produtos biológicos, sempre que possível.

Por: Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista na Epagri/Fapesc
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