Os dejetos das vacas leiteiras na propriedade da família Capitani, em Xaxim, na região
Oeste de Santa Catarina, eram um problema até bem pouco tempo, antes da instalação de
um biodigestor que transforma o esterco dos animais em biogás e biofertilizante. A
tecnologia, nomeada Biodigestor de Baixo Custo, foi desenvolvida pela Epagri na primeira década dos anos 2000 com apoio da Embrapa, e está em contínuo aprimoramento.

Na próxima quarta-feira, 18, às 13h30, a tecnologia será apresentada aos produtores rurais da região em um Dia de Campo promovido pela Epagri e parceiros. “Um dos nossos propósitos é justamente ter uma unidade de referência técnica para fomentar visitas e eventos com o intuito de despertar interesse em outros produtores e técnicos do Oeste”, explica Paulo Gonçalves Duchini, extensionista rural da Epagri em Xaxim.
Para o engenheiro-agrônomo, como se trata de uma tecnologia de baixo custo e fácil instalação, há um grande potencial de utilização do biodigestor no Oeste catarinense. Ele explica que a região é uma grande bacia leiteira onde predominam pequenas propriedades. Elas poderão se beneficiar do projeto para geração de biogás e biofertilizante, reduzindo gastos com energia elétrica ou gás, principalmente no aquecimento de água para higienização de equipamentos.
“Eu com certeza recomendo para outros produtores, não somente por uma questão econômica, mas também ambiental. Eu acho que a gente fala tanto em preservação do meio ambiente e não tem só que falar, a gente tem que fazer”, afirma a produtora rural Aline Capitani. Como a instalação do biodigestor é recente, a família ainda não tem como calcular com exatidão a economia com energia elétrica e gás, mas não há dúvida dos benefícios.
No momento, o biogás já está sendo utilizado para aquecer a água utilizada na limpeza do sistema de ordenha das vacas e no cozimento de alimentos da família, reduzindo o consumo de gás de cozinha e de lenha. Há possibilidade da família Capitani também também instalar um sistema que permita o uso da água quente nos chuveiros e torneiras da residência, gerando economia de energia elétrica.

Economia e sustentabilidade
Além do biogás, o processo de biodigestão dos dejetos gera o digestado, um excelente biofertilizante. “Esse material já pode ser aplicado diretamente na lavoura, não necessitando ser curtido. Ele apresenta grande quantidade de nutrientes e uma rápida resposta das plantas, podendo substituir grande parte dos adubos inorgânicos necessários”, explica Duchini.
Para Aline, o biodigestor é uma solução completa aos produtores de leite. “Alguns anos atrás, como em muitas propriedades, a gente não tinha um lugar apropriado para armazenar os dejetos dos animais, e o descarte causava muitos problemas, como moscas e odores. Agora, temos uma esterqueira, mas o biodigestor vem para auxiliar ainda mais,” comenta a produtora rural.
O biodigestor instalado na propriedade da família Capitani foi contemplado em um projeto de fomento do Sicoob e teve apoio da Prefeitura de Xaxim, que fez a abertura do buraco para a construção do tanque. Segundo Duchini, os recursos utilizados na estrutura foram de R$ 15 mil e incluíram a instalação de geomembrana (lona), caixa de areia, caixa de passagem, calhas para coleta de água da chuva, tubulações, cerca para isolamento do biodigestor e da esterqueira, fogão campeiro (jipão) e fogareiro.

Veja aqui como funciona um biodigestor.
Tecnologia da Epagri
O primeiro Biodigestor de Baixo Custo foi instalado em uma propriedade no município de Laurentino, no Alto Vale do Itajaí, em 2008. Dez anos depois, a Embrapa validou a tecnologia. “Hoje, esse sistema está praticamente no Brasil todo, mas não temos controle de quantos foram instalados. O produtor de Laurentino já recebeu mais de 300 visitas de interessados em conhecer o biodigestor”, conta Osnei Córdova Muniz, extensionista da Epagri que acompanhou a instalação do sistema pioneiro.
Como o próprio nome já diz, o que mais chama a atenção no sistema desenvolvido pela Epagri é o baixo custo, além da facilidade na instalação. Segundo Muniz, esse custo varia entre R$ 8 mil e R$ 10 mil para uma propriedade com rebanho de 20 a 30 vacas. “Em dois anos o investimento se paga, considerando a redução no consumo de lenha, gás, energia elétrica, mão de obra e fertilizante”, calcula. “Ver a alegria da família em estar economizando e enxergando maior conforto no seu dia a dia é muito satisfatório”, completa Duchini.

Para o engenheiro agrônomo Jeferson João Soccol, coordenador estadual do Programa Desenvolvimento e Sustentabilidade Ambiental da Epagri, a instalação de biodigestores vem ao encontro das demandas atuais por ações de sustentabilidade. Há necessidade de reduzir impactos ambientais, descarbonizar cadeias produtivas, baixar custos de produção e aumentar a eficiência das propriedades rurais.
“O biodigestor é uma tecnologia extremamente importante e acessível aos agricultores familiares e atende a todas estas demandas. Por isso, há uma expectativa de que esta tecnologia ganhe mais relevância e adesão a partir da disponibilização de recursos financeiros de fomento disponibilizados pelo estado de Santa Catarina através da Epagri e de eventos e capacitações como o que estamos realizando em Xaxim nesta quarta-feira”, afirma Soccol.
O que: Dia de Campo Biodigestor de Baixo Custo
Quando: 18 de março, 13h30
Local: Propriedade de Deolindo Capitani – Linha Santa Lúcia, Xaxim
Contato: Escritório Municipal de Xaxim – (49) 33822210
Por: Cléia Schmitz, jornalista bolsista na Epagri/Fapesc
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