Joana Judite Olos, 59 anos, não imaginava a revolução que aconteceria em sua vida após a descoberta de uma colmeia na roseira de sua casa, em 2020. Com a ajuda de dois apicultores, a colmeia foi retirada de um cano d’água e, em vez de ser recolocada na natureza, deu início à sua produção de mel, que hoje é fonte de renda para ela e dezenas de famílias produtoras em Massaranduba.

(Fotos: Renata Rosa/Epagri)
Uma trajetória que seria impensável sem o apoio da Epagri para regularizar e investir na produção e realizar o sonho de empreender no setor da meliponicultura. Esforço que resultou, em 2024, na conquista do Selo da Agricultura Familiar, concedido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e, no final do ano passado, no Selo Arte, atestando a alta qualidade de seus produtos artesanais.
“Às vezes, eu nem acredito no que consegui realizar. Sempre gostei de mel, mas tinha receio de mexer com as abelhas. Mas depois que fiz os cursos e recebi a orientação dos extensionistas da Epagri e de profissionais da prefeitura para abrir a Casa do Mel, o negócio deslanchou”, revela Joana. Hoje, a JMel tem no seu portfólio 36 itens de produtos alimentícios e terapêuticos, fora produtos cosméticos, como sabonete líquido e em barra, e velas feitas de cera de abelha.

A trajetória de Joana no ramo da melicultura começou quando ela recebeu o Kit Apicultura da Epagri, em 2020, com os primeiros itens para iniciar a atividade, como Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para fazer o manejo da colmeia com segurança, e equipamentos para a retirada do favo e extração do mel. Ela também teve acesso ao programa Financia Agro (Financiamento para Empreendimentos de Agregação de Valor e Turismo Rural) para a compra de mais itens para se adequar à legislação sanitária, como ar-condicionado para climatizar o setor de beneficiamento, armazenagem do mel e seus insumos.
Em relação à formação, Joana buscou na escola Cia da Abelha, de Goiânia (GO), que oferece cursos online para aspirantes a apicultores de todo o Brasil. O primeiro curso foi “Apicultura básica e avançada em criação de abelhas com ênfase na tecnificação para a superprodução de mel”, com carga horária de 80h/aula. Para colocar em prática seus conhecimentos, além da colmeia retirada de sua roseira, Joana adquiriu quatro núcleos de abelhas africanizadas, que produziram 25kg de mel ao final de 12 meses.
Produtos à base de própolis têm efeito fitoterápico
Encantada com as possibilidades alimentícias, terapêuticas e ornamentais proporcionadas pelas abelhas, no ano seguinte ela foi além, se matriculando no curso de “Manipulação e cosmetologia com produtos das abelhas com ênfase em boas práticas de fabricação de alimentos”. A partir daí, além dos testes gastronômicos combinando o mel com ervas, temperos e frutas desidratadas, Joana investiu em produtos que aproveitam as propriedades terapêuticas do própolis, criando pomadas de efeito cicatrizante.
Hoje, a JMel produz 300kg anuais, produzidos por 15 colmeias, mais 700kg de mel multifloral de apicultores da região. Mel de sabor único, uma combinação de flores de plantas melíferas silvestres abundantes na região como ingá, astrapéia, assa-peixe e manjericão. A estratégia de escoamento da produção é comercializar os produtos na feira livre de Blumenau, realizada três vezes por semana, e na feira do Brique, aos domingos, também em Blumenau.
Para isso, ela conta com a parceria dos filhos Vinícius, 24, e Júnior, 26. Eles também dão uma força na produção, apesar de não serem muito fãs de lidar com abelhas, que nem sempre estão de bom humor. Por isso, ambos fizeram, no ano passado, o curso de Jovens Rurais, da Epagri em Joinville, para descobrirem novas formas de empreender no campo. Vinícius ficou bem interessado em produzir frutas vermelhas, que têm um alto valor agregado, só não sabe ainda se será morango ou mirtilo.

A relação da Epagri com a família começou muito antes de produzir mel, há 28 anos, quando a principal atividade econômica era a produção de arroz. O plano para 2026 é ingressar no curso de empreendedorismo feminino Flor-E-Ser para continuar investindo no negócio, aperfeiçoando processos e fazendo ajustes na logomarca, que se tornará ainda mais conhecida com a consolidação do Selo Arte em seis produtos: mel multifloral, mel com favos, três versões de mix de temperos e molho de frutas vermelhas.
“Precisa ver como os molhos são apreciados e elogiados nos eventos, principalmente no Queijo Brasil, que participei em 2022 e 2023. Harmoniza muito bem com os queijos de alta qualidade da competição. Fiz muitas vendas e conquistei clientes de todo o Brasil”.
Por: Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc