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Associação de mulheres criada com apoio da Epagri completa 20 anos e bate recorde de vendas no primeiro trimestre

No passado, quando alguém perguntava para Nilza Nau, 69 anos, qual era a sua profissão, ela respondia “do lar”. “Eu tinha vergonha de dizer que trabalhava na roça, mas hoje tenho orgulho”, emenda rapidamente. O orgulho da roça só não é maior do que o orgulho da Afago, associação que Nilza preside e toca com outras nove mulheres agricultoras da Fazenda de Dentro, localidade do interior de Biguaçu, na Grande Florianópolis. 

Assistido pela extensionista da Epagri Cilana Bertoncini (ao centro, de crachá), o grupo Afago completou 20 anos em abril (Foto: Aires Mariga/Epagri)

No dia 25 de abril, o grupo completou 20 anos, mantendo vivo o propósito de elevar a autoestima das mulheres e gerar renda para a família com a produção de artigos feitos com materiais reciclados. A associação é assistida pela Epagri por meio do programa Capital Humano e Social, que capacita jovens e mulheres rurais para transformar sonhos em negócios, melhorando a qualidade de vida no campo. 

Afago é a sigla para Associação das Fazendeiras Amigas, Guerreiras e Otimistas e traduz perfeitamente a história do grupo. Nilza e suas amigas começaram fabricando papel reciclado, mas dois anos depois da fundação fecharam a parceria com uma das maiores empresas têxteis de Santa Catarina para receber retalhos de tecido e participar de oficinas de aproveitamento desses materiais. 

“Lixo” que vira lucro e transforma vidas

A partir de então, o grupo começou a produzir bolsas, atual carro-chefe da Afago. Neste ano, a associação já bateu recorde com a venda de 1400 unidades, feitas 100% com matéria-prima doada e reciclada, que acabaria parando no lixo. Entre os clientes está o Congresso Catarinense de Aleitamento Materno, organizado por uma clínica médica de Florianópolis. Depois de emplacar três anos consecutivos, a bolsa de retalhos da Afago já é aguardada pelos participantes do evento. 

Mulheres da Afago produzem bolsas com materiais reciclados doados por empresas e instituições (Foto: Aires Mariga/Epagri)

Outro cliente importante é o SESC. A instituição doa banners para a Afago transformar em bolsas que serão distribuídas em ações e eventos com os associados. “Para muita gente, esses materiais são lixo, para nós, é matéria-prima”, ressalta a empreendedora Adriana Nau e Fraga, 53 anos, filha de Nilza e também fundadora da Afago. O DNA sustentável é herança do Microbacias, programa financiado pelo Banco Mundial, que tinha como foco na época a conservação ambiental e o manejo de recursos naturais. 

A extensionista social do escritório da Epagri em Biguaçu, Cilana Acteia Bertoncini, explica que o Microbacias exigia que fossem criadas associações comunitárias para viabilizar os projetos do programa. Entre eles, a construção de poços, fossas e banheiros, garantindo a infraestrutura sanitária, e a proteção das nascentes e das florestas, incluindo reflorestamento. “Muitas associações foram encerradas após a finalização do programa, mas outras se reinventaram, como a Afago”, conta Cilana.

Foi naquela época, há 20 anos, que Cilana começou a atuar como extensionista social em Biguaçu. Hoje, ela acompanha sete grupos de mulheres da cidade, que atuam principalmente com a produção de artesanato. Para esses grupos, Cilana e Epagri atuam como embaixadores. Na Afago, foi a extensionista que fez o primeiro contato com o SESC e a indústria que fornece os retalhos. Foi ela também que conseguiu o fornecedor das sobras de cortinas que hoje são usadas para confeccionar o forro das bolsas. 

Extensão rural que abriu portas para o empreendedorimo feminino

“A Epagri foi importante para abrir portas, mas hoje elas caminham com as próprias pernas. Nossa ideia nunca foi fazer por elas, mas com elas”, afirma Cilana. Segundo a empreendedora Adriana, a extensionista foi uma ótima professora, incentivando a autonomia da Afago. “Cilana sempre nos dizia antes das reuniões: chegando lá vocês vão ter que falar. Ela também nos orientou muito na parte administrativa e financeira e sempre incentivou com um ‘vamos lá, mulherada’”. 

Escritório da Epagri em Biguaçu incentiva coletivos de mulheres com o objetivo de gerar alternativas de renda no campo e fortalecer a autoestima feminina (Foto: Aires Mariga/Epagri)

As mulheres da Afago levaram o conselho de Cilana tão a sério que na comunidade da Fazenda de Dentro elas já são quase “vereadoras”. Ao longo da existência da associação, o grupo se aproximou de gestores públicos e entidades da sociedade civil. Ciente dessas relações institucionais, muita gente da comunidade bate na porta da Afago para pedir apoio, seja para aumentar o número de dias do médico no posto de saúde ou para pedir uma reunião com a concessionária do Contorno Viário e viabilizar um acesso melhor à rodovia. 

O reconhecimento da comunidade eleva a autoestima das mulheres da Afago. Mas Nilza, Adriana e as colegas não escondem que o principal fator que contribui com a autoconfiança do grupo é a renda obtida por meio das vendas de bolsas. “Ainda lembro quando a gente saía para participar de feiras e os homens falavam: vão lá para que? Não vão vender nem para pagar a passagem de ônibus da volta. Hoje, eles não perguntam mais”, orgulha-se Adriana. 

Por: Cléia Schmitz, jornalista bolsista na Epagri/Fapesc

Informações e entrevistas: 
Adriana Nau de Fraga, fundadora da Afago (48) 99837-9053
Cilana Acteia Bertoncini, extensionista social da Epagri em Biguaçu (48) 3665-5586

Informações para a imprensa
Isabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri
(48) 3665-5407/99161-6596

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