Pular para o conteúdo

BLOG-Epagri

Monitoramento da cigarrinha-do-milho gera impacto econômico de R$321,7 milhões em 2025

O programa Monitora Milho SC produziu um impacto econômico de R$321.735.868,74 para a agricultura catarinense em 2025 devido à redução das perdas causadas pela cigarrinha-do-milho e o complexo de enfezamentos e viroses. 

Os dados apresentados pelo Balanço Social da Epagri revelam que a tecnologia desempenha um papel fundamental na indicação de estratégias de manejo. De acordo com o supervisor de pesquisa da Epagri/Cepaf, Alberto Höfs, responsável por realizar os cálculos de efetividade do programa, a adoção do manejo nas lavouras se mostrou altamente rentável para os produtores. “Se considerarmos o preço médio de comercialização do milho em R$ 1,15 por quilo, a diferença de produtividade registrada na safra 2024/25 representou um ganho líquido de R$ 1.582,55 por hectare cultivado”, explica. 

Monitoramento da cigarrinha-do-milho reduz perdas na produção (Foto: Aires Mariga/Epagri)

A cigarrinha-do-milho é considerada a principal praga desse cultivo, capaz de comprometer as lavouras e provocar quedas drásticas na produtividade. Nesse sentido, Alberto destaca que a ausência de manejo representaria uma quebra de produtividade estimada em 17,5%. Por outro lado, com a implementação das técnicas corretas de controle se observou um aumento de produção de 21,2% por hectare, durante a safra 2024/25.

Esta é a primeira vez, desde que o Monitora Milho SC foi lançado em 2021, que os dados referentes ao impacto econômico sobre produção foram mensurados. A coordenadora do programa, pesquisadora da Epagri/Cepaf, Maria Cristina Canale, recebeu o resultado com grande satisfação. “Esse resultado reforça o papel da Epagri como uma instituição capaz de transformar conhecimento científico em soluções práticas para os desafios do campo. É uma comprovação de que investir em pesquisa, monitoramento e extensão rural gera benefícios concretos para a sociedade. Esse valor não representa apenas um impacto econômico expressivo, mas reflete, principalmente, os milhares de produtores que tiveram acesso à informações técnicas para tomar decisões mais seguras e reduzir as perdas causadas pelos enfezamentos do milho”, diz. 

Na mesma linha, Alberto ressalta que os resultados obtidos são extremamente positivos e evidenciam os benefícios diretos para os agricultores. Ele enfatiza que a disponibilização de informações quase em tempo real sobre incidência e infectividade da praga tem sido decisiva para reduzir a vulnerabilidade dos agricultores diante de cenários adversos. “O Monitora Milho SC garante maior estabilidade de renda e segurança financeira para as famílias rurais inseridas na produção do grão, impulsionando a fixação no campo e o desenvolvimento socioeconômico regional. Além disso, também fortalece o tecido social da cadeia produtiva por meio da consolidação de uma rede colaborativa que articula pesquisa, extensão e setor produtivo”, acrescenta.

O extensionista rural Willian Heintze, que atua no município de Faxinal dos Guedes, salienta o papel dos extensionistas e dos agentes da Cidasc que atuam junto aos produtores rurais. Segundo ele, esses profissionais são o principal braço do Estado no campo, graças à sua capilaridade, ao conhecimento das particularidades de cada município e, sobretudo, à confiança que conquistaram.

Como o cálculo foi realizado?

Os pesquisadores da Epagri adotaram um valor de 17,5%, índice aplicado nas perdas médias nacionais por enfezamentos no Brasil, que chegaram a atingir 22,7% entre 2020 e 2024. Estudos realizados na região Sul demonstraram que o milho perde 12,7% de rendimento a cada unidade de aumento na escala de severidade da doença, ou seja, quanto mais intensa a manifestação dos enfezamentos, maior é a redução na produtividade. 

O cálculo levou em consideração diversos fatores. Entre eles, as perdas efetivamente sofridas pelos agricultores em decorrência da cigarrinha-do-milho e suas implicações na lavoura. Também foi incluído o custo adicional para a adoção do manejo, estimado em R$300,00 por hectare. Outro ponto observado foi o preço médio de comercialização do milho em grão. Além disso, considerou-se a área total cultivada em Santa Catarina. 

Foram incluídos no processo a adoção da tecnologia proposta pelo Programa Monitora Milho SC e o papel da Epagri como instituição responsável pela execução e acompanhamento técnico. Essa combinação de variáveis permitiu mensurar de forma precisa o impacto econômico e social da iniciativa, evidenciando o retorno positivo para os agricultores catarinenses.

Integração fortalece o manejo da cigarrinha-do-milho em Santa Catarina 

O programa Monitora Milho SC foi implantado pela Epagri durante a safra 2021/22, marcada pela chegada e rápido avanço da cigarrinha nas lavouras catarinenses. Maria Cristina recorda que, naquele momento, produtores e técnicos não estavam familiarizados com esta praga e com seus efeitos sobre a produção. “Naquele ano agrícola, a produtividade caiu para cerca de 5.487 kg/ha, o que representou uma variação negativa de 29% com relação ao ano anterior”. 

Diante deste cenário, foi instituído um comitê em parceria entre a Epagri e instituições como Cidasc, Udesc, Ocesc, Fetaesc, Faesc, CropLife Brasil e a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária. O objetivo era transformar dados de monitoramento em informação técnica, orientando a tomada de decisão e reduzindo o uso indiscriminado de inseticidas.

Maria Cristina enfatiza que o programa tem evoluído ao longo dos anos. “A rede de monitoramento foi ampliada, novas regiões passaram a ser acompanhadas e as análises laboratoriais foram aperfeiçoadas. Os informes também foram aprimorados, sempre com o propósito de apresentar os dados de forma simples e direta ao agricultor. Além disso, estão sendo incorporados estudos sobre a dinâmica populacional da cigarrinha, fatores climáticos, épocas de semeadura e outros aspectos epidemiológicos, ampliando a precisão e a utilidade das informações disponibilizadas”, declara. 

Análises por PCR asseguraram resultados confiáveis e transformam dados em estratégias de manejo (Foto: Divulgação/Epagri)

A pesquisadora reforça ainda que o Programa Monitora Milho é o único programa que dispõe de uma série histórica contínua de cinco anos, fornecendo dados consistentes e ininterruptos. “Construímos um amplo banco de informações sobre a ocorrência da cigarrinha-do-milho e dos patógenos associados em Santa Catarina”. 

Ao longo de cinco safras monitoradas, foram analisadas quase 10 mil armadilhas e processadas cerca de 10 mil amostras. Mais de 33 mil análises por PCR foram realizadas, assegurando precisão científica nos resultados. A cada ano, são publicados aproximadamente 40 informes, o que totaliza cerca de 200 documentos técnicos disponibilizados ao setor produtivo. A iniciativa conta ainda com a participação de municípios que variam entre 15 e 55, dependendo da época de monitoramento e do ano vigente, reforçando sua abrangência e relevância para diferentes regiões produtoras. 

As informações, disponibilizadas no site da Epagri e no aplicativo EpagriMob, oferecem suporte direto à tomada de decisão dos agricultores e contribuem para reduzir riscos diante de cenários desfavoráveis.

Por: Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc.

Informações para a imprensa
Isabela Schwengber, assessora de Comunicação da Epagri
(48) 3665-5407/99161-6596

Acessar o conteúdo