O mercado de insumos agrícolas de origem biológica cresceu no Brasil a uma média anual de 22% nos últimos três anos, índice quatro vezes maior do que a média global. Os dados são da Blink/CropLife Brasil. Conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária, 49% dos agricultores brasileiros já utilizam algum tipo de bioinsumo, o maior índice no mundo.
Atentos a essa demanda por soluções cada vez mais sustentáveis, os pesquisadores da Epagri dedicam-se a encontrar alternativas para a agricultura familiar catarinense. São várias iniciativas neste sentido, e uma delas vem de uma região que se consolida cada vez mais como referência nacional em viticultura.
A Estação Experimental da Epagri em Videira, no Meio-Oeste de Santa Catarina, estuda os bioinsumos – produtos feitos a partir de organismos vivos encontrados na natureza – como fonte de sustentabilidade para o meio rural, proporcionando elementos que substituam uma série de agroquímicos, melhorem a saúde do solo e agreguem aos cultivos.
Um dos trabalhos é conduzido pelo engenheiro-agrônomo Rafael Ricardo Cantú. Com o apoio da equipe de pesquisadores, técnicos de campo e laboratório, ele estuda o desenvolvimento de fertilizantes à base de resíduos. No caso da região de Videira, a pesquisa aplica-se ao cultivo de uvas a fim de melhorar ainda mais a qualidade dos vinhedos.

(Fotos: Pablo Gomes/Epagri)
Experiências exitosas em parceria com frigoríficos
O próprio Rafael Cantú, quando lotado na Estação Experimental da Epagri em Itajaí, alguns anos atrás, coordenou um projeto de pesquisa com parceria entre Epagri e Pamplona Alimentos S/A. O trabalho transforma todo o resíduo produzido nos frigoríficos dos municípios de Rio de Sul e Presidente Getúlio, na região do Alto Vale, em bioinsumos de elevada qualidade.
Atualmente, é desenvolvido outro projeto em parceria com o frigorífico São João, da cidade de São João do Itaperiú, no Vale do Itajaí, onde os resíduos do abate bovino também são transformados em bioinsumos, apresentando grande potencial de melhoria do solo, dos cultivos e do ambiente.

Os estudos levaram a uma tecnologia de obtenção de fertilizante que está sendo amplamente utilizada e em expansão, além de fomentar o uso do bioinsumo, que vem sendo utilizado em frutíferas, hortaliças e até mesmo na produção orgânica de alimentos.
“O uso destes bioinsumos vem promovendo a melhoria dos solos, dos cultivos e do ambiente como um todo. Também promove a redução do uso dos agroquímicos importados, proporcionando uma maior sustentabilidade das cadeias produtivas envolvidas, além de gerar empregos, renda e a promoção da economia circular. Isso dá maior sustentabilidade à própria Epagri, aos produtores e a toda sociedade catarinense”, diz Rafael Cantú.

Por Pablo Gomes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc
