Quais são os tipos de manejo do solo que mais contribuem para armazenar carbono orgânico nos pomares de maçã da Serra catarinense? Pesquisadores da Epagri estão desenvolvendo um estudo para responder à pergunta e entender melhor o papel da fruticultura na mitigação das mudanças climáticas. O objetivo é produzir maçã de forma mais sustentável e gerar base científica para políticas públicas e futuros mercados de crédito de carbono.

O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapesc) e deve ser concluído até outubro de 2027. A pesquisa está alinhada aos objetivos ambientais definidos pelo SC Rural 2, programa do Governo do Estado que prevê investimentos de US$ 150 milhões ao longo de seis anos para promover o desenvolvimento sustentável do espaço rural e pesqueiro catarinense.
“O solo é um dos maiores reservatórios de carbono do planeta, armazenando mais deste elemento do que a própria atmosfera. Pequenas mudanças no manejo podem transformá-lo em um importante sumidouro de carbono, ajudando a regular o clima”, explica o engenheiro-agrônomo Matheus Luís Docema, pesquisador na Estação Experimental da Epagri em São Joaquim e coordenador da pesquisa.
A manutenção do carbono no solo é fundamental para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O aumento da concentração desses gases intensifica o aquecimento global e pode desencadear eventos extremos como secas, enchentes e estresses térmicos, tornando a atividade agrícola mais vulnerável e comprometendo a produção mundial de alimentos. Por isso, práticas agrícolas que promovem menor revolvimento do solo e a manutenção da cobertura vegetal são consideradas mais sustentáveis.
Análise compara diferentes usos do solo
O foco central da pesquisa em desenvolvimento pela Epagri é quantificar os estoques de carbono orgânico nos pomares de maçã. Com esses dados, os pesquisadores poderão avaliar como os diferentes manejos influenciam o armazenamento e a saúde do solo. As amostras de solo foram coletadas em áreas comerciais de São Joaquim, incluindo três tipos de usos da terra: pomares de maçã com diferentes manejos agrícolas, pastagens naturais e vegetação nativa (floresta de araucária). O objetivo é compará-las e calcular o índice de saúde do solo (ISS).

“O estudo também vai relacionar a presença do carbono do solo com a produtividade das macieiras, buscando entender se os sistemas mais sustentáveis também são os mais produtivos”, destaca Docema. Segundo o pesquisador, com os resultados será possível identificar quais práticas agrícolas aumentam o estoque de carbono no solo e melhoram a saúde e a qualidade dos pomares de macieiras na Serra catarinense.
A partir das conclusões, a Epagri poderá recomendar técnicas aos produtores, orientando sobre manejos mais sustentáveis e resilientes. Os dados também serão importantes para subsidiar políticas públicas voltadas à agricultura de baixo carbono, apoiar programas de pagamento por serviços ambientais e contribuir para o desenvolvimento do mercado de carbono na fruticultura. “São mecanismos que têm se consolidado como estímulo à adoção de práticas sustentáveis que favorecem o acúmulo de carbono orgânico no solo”, explica Docema.
Pesquisa estratégica
O impacto econômico e social do cultivo de maçã em Santa Catarina reforça a função estratégica da pesquisa agropecuária. O estado responde por mais de 50% da produção nacional da fruta, com destaque para os municípios de São Joaquim, Urubici e Bom Jardim da Serra, que concentram 98% da safra estadual. Os dados são do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), referentes a 2025.

Docema acrescenta ainda a contribuição do projeto para o desenvolvimento de um índice regional de saúde do solo. O objetivo é que técnicos e produtores usem o ISS como ferramenta para monitorar a qualidade do solo ao longo do tempo. “Os resultados gerados poderão subsidiar a adoção de tecnologias agrícolas mais eficientes, conciliando produtividade e conservação ambiental, e contribuindo para os compromissos do Brasil com acordos climáticos internacionais”, conclui o pesquisador.
Por: Cléia Schmitz, jornalista bolsista na Epagri/Fapesc
Informações e entrevistas:
Matheus Docema, pesquisador em fitotecnia da Estação Experimental de São Joaquim
(49) 3233-8448
Informações para a imprensa
Isabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri
(48) 3665-5407/99161-6596