Entre os dias 9 e 11 de junho, Chapecó se transformou na capital da fruticultura do Sul do Brasil. A quinta edição do Frusul reuniu mais de 300 participantes, entre pesquisadores, técnicos, produtores, professores e estudantes, para discutir as principais experiências, pesquisas e possibilidades para o desenvolvimento da cadeia produtiva.
O evento, realizado pela Epagri, Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Prefeitura de Chapecó, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Centro de Ensino Superior Riograndense (Cesurg), Associação dos Engenheiros Agrônomos do Oeste de Santa Catarina (Aeagro), Unochapecó e Unoesc, com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), trouxe uma programação variada. O pesquisador da Epagri e coordenador do Frusul, Rodolfo Vargas Castilhos, ressalta que a proposta buscou contemplar a ampla diversidade de espécies frutíferas cultivadas na região Sul do Brasil, além de promover debates técnico-científicos e compartilhar casos de sucesso que pudessem inspirar mais produtores.

A palestra de abertura, ministrada pelo gerente técnico da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Jorge Luis Raymundo de Souza, abordou os aspectos mercadológicos da fruticultura no país. “O Brasil é o 24º exportador mundial e pode ampliar seu posicionamento, uma vez que produz frutas de muita qualidade, que são apreciadas no exterior. Nós produzimos o ano inteiro e nossos biomas contribuem para a diversidade da oferta. No entanto, para conquistar este mercado, é preciso que o setor esteja mais organizado e que os fruticultores tecnifiquem sua produção, uma vez que a exigência e a logística de distribuição são cada vez mais rigorosas e demandam alto nível de eficiência”, destaca.
Além dos casos de sucesso e do trabalho desenvolvido em Santa Catarina, no Paraná e no Rio Grande do Sul, o Frusul contou com a participação de Carlos Bornin, que trouxe a experiência paulista na citricultura. O estado é líder nacional na produção de citros, mesmo após a detecção do primeiro caso de greening, em 2004. Bonin enfatizou que o setor só conseguiu se manter competitivo graças a uma série de modificações no cultivo, principalmente no manejo, no processo de produção de mudas e no constante monitoramento do psilídeo.
O evento também recebeu os pesquisadores Valentina Mujica e Javier Rodrigo, que discutiram o uso de produtos biológicos no controle de pragas e os impactos das mudanças climáticas sobre o setor. Para a representante do Instituto Nacional de Investigación Agropecuaria (INIA), do Uruguai, o evento foi uma ótima oportunidade para trocar conhecimentos com pesquisadores que enfrentam problemas e cenários muito semelhantes aos do seu país. Na mesma linha, o especialista do Centro de Investigación y Tecnología Agroalimentaria de Aragón (CITA), na Espanha, destacou o caráter enriquecedor do encontro, que permite conhecer formas diferentes de enfrentar desafios comuns.
A edição de 2026 também se destacou pelo recorde de trabalhos científicos recebidos. Foram 166 resumos enviados por pesquisadores que exploraram temas relevantes para a fruticultura no Sul do país. Entre os destaques, o bolsista da Fapesc que atua na Epagri, Bruno Bonin, e a doutoranda do programa de pós-graduação em Agronomia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Lethícia de Ávila, receberam o prêmio de melhor trabalho.
Epagri impulsiona fruticultura catarinense
A Epagri possui papel fundamental no desenvolvimento da fruticultura catarinense, com a criação de diversas tecnologias, como os cultivares de banana, maçã, pêssego, ameixa, uva, maracujá, entre outros. O diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação, Éverton Blainski, destacou a relevância desse setor para o Estado, lembrando que a fruticultura representa o maior programa de pesquisa da Empresa. Segundo ele, os trabalhos são conduzidos sempre a partir de necessidades reais dos produtores, garantindo resultados alinhados às demandas do campo.
Entre as linhas de pesquisa desenvolvidas pela Epagri está o melhoramento genético da goiaba-serrana. Considerada uma superfruta por seu valor nutricional, que alia baixo valor calórico e altas concentrações de vitaminas C e B, a goiaba-serrana começou a ser domesticada na década de 1980, através de uma parceria entre a Epagri, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e os produtores locais.

O pesquisador da Estação Experimental da Epagri em São Joaquim, Leonardo Araújo, foi um dos palestrantes do Frusul e abordou as perspectivas e os desafios para o cultivo da fruta. Ele explica que a espécie, oriunda do Sul do Brasil e do Uruguai, é bastante valorizada, especialmente no exterior, para a produção de cosméticos, alimentos e bebidas. Nesse sentido, ele destaca que há um mercado em expansão a ser explorado no Brasil e que o fortalecimento desta cadeia produtiva poderia trazer maior diversificação para a produção frutífera, especialmente na Serra Catarinense, e gerar mais renda aos produtores.
A Epagri já desenvolveu seis variedades de goiaba-serrana: Helena, Alcântara, Mattos, Nonante, Pierri e Jade. Cinco delas são cultivares copa e uma porta-enxerto. As mudas são produzidas e comercializadas por um viveiro localizado em Urubici. Os produtores interessados em cultivar a espécie podem buscar orientação nos escritórios municipais da Epagri.
Por: Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc
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