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Histórias de superação marcam formatura de pescadoras do Litoral Norte em curso da Epagri

Vinte e quatro mulheres deram um passo importante para fortalecer e qualificar a presença feminina na pesca no Litoral Norte ao concluírem o projeto Flor-e-Ser Mulheres Pescadoras, no dia 3 de junho, na Epagri em Itajaí. A cerimônia, realizada no auditório da Estação Experimental de Itajaí (EEI), foi o auge de uma jornada de aprendizado e de autoafirmação como profissionais da pesca, tão relevantes para o sucesso do empreendimento familiar quanto os companheiros que trazem os frutos do mar, já que muitas trabalham no beneficiamento e não se sentiam pescadoras.

Profissionais da pesca de sete municípios tiveram aula de gestão e liderança para empreender (Fotos: Renata Rosa/Epagri)

Foi o caso da maricultora de Bombinhas, Adriana Geraldo da Silva, 53 anos, a primeira formanda a apresentar seu plano de negócio. “Mudei a visão que eu tinha sobre a atividade, algo que eu achava tão singela, hoje percebo como algo grandioso. Este curso, com tudo que me trouxe de aprendizado, acabou atingindo toda a família a ponto dos filhos se interessarem a aderir ao empreendimento, coisa impensável meses atrás”, declarou.

O plano de Adriana é adquirir uma balsa com guincho para facilitar a colheita de mariscos e melhorar a segurança e ergonomia no trabalho. O equipamento também vai facilitar o transporte e manejo dos moluscos, aumentando a produtividade e, consequentemente, a renda familiar. Em sua apresentação, ela enfatizou a importância do trabalho desenvolvido pela extensionista social e coordenadora do projeto Flor-E-Ser, Adriane Mendonça, para convencê-la a entrar no curso. “Se eu imaginasse a virada de chave que seria em nossa vida, teria feito o curso antes, não tenho palavras para expressar minha gratidão”.

A atuação do extensionista rural de Navegantes, Alan Rotta, também foi reconhecida pela formanda Eliane de Bastiani Alves, 29 anos, na hora de sua apresentação. “Eu preciso agradecer a este moço aqui, porque sem a insistência dele, eu, que sou tímida, nunca teria me inscrito, muito menos estaria aqui na frente para falar de minha família”, admitiu Eliane, que entrou para o ramo em 2011, quando se casou com um pescador de camarão. 

Atuação dos extensionistas nos municípios é fundamental para fortalecer o projeto de empreendedorismo feminino

Ela planeja adquirir um piloto automático para a embarcação da família com o objetivo de reduzir o consumo de combustível, diminuir o tempo de deslocamento nas viagens longas e dar mais segurança ao pescador. “Normalmente, meu marido trabalha sozinho e tendo este equipamento, enquanto o barco se desloca, ele pode puxar a rede, escolher o camarão que foi capturado, monitorar o clima, que muda constantemente. É muito puxado para uma pessoa só fazer tudo isso segurando o leme”, justifica.

Eliane conta que o sonho da embarcação própria foi destruído em 2017, quando a baleeira foi pega de surpresa por uma tempestade severa, fazendo o barco encalhar na praia em Juréia (SP). “Ficamos dois dias tentando desencalhar, mas as ondas não deixavam. O barco foi desmontando pouco a pouco. A gente conseguiu tirar pouca coisa, apenas a mochila, e ainda tivemos que continuar pagando. Foi um momento muito difícil, mas a gente não desistiu. Compramos um bote menor e fomos em frente”, relata.

Além de administrar a casa enquanto o marido está fora, Eliane também é pau pra toda obra quando o barco precisa de manutenção, já que eles ainda estão pagando o bote e não têm condições financeiras de contratar ajudantes. “Nossos instrutores sempre falaram que se ajudamos a descarregar, pintar, manipular pescado, também somos pescadoras. Muitas de nós chegamos a chorar ouvindo isso porque a gente se sentia menos importante pelo fato de ficarmos em casa. Estamos saindo do curso mais felizes, mais confiantes”, afirmou. 

Jéssica pretende investir numa embarcação de camarão para aumentar a renda da família

A última a apresentar o plano de negócio foi Jéssica Prestes Batista, 29 anos, moradora de Penha. Há cinco anos, ela e o marido passaram a viver da pesca e do beneficiamento de peixe, após a filha nascer com um problema genético. Na época, eles tinham um trailer de lanches, que foi vendido para ela ficar mais tempo com a filha. E para agregar valor ao pescado trazido pelo marido, Jéssica montou em sua cozinha uma estrutura para o preparo dos peixes, que são vendidos na forma de filés empanados. 

Por isso, a princípio, sua ideia era regularizar o preparo do pescado, instalando uma unidade de beneficiamento com câmara fria, mas, depois de fazer os cálculos, ela percebeu que o investimento excederia o valor do projeto, cujo teto é de R$50 mil. “Conversamos em família e decidimos investir numa embarcação maior para pescar camarão para aumentar a nossa renda, já que é um produto mais valorizado. Além do mais, na rede de camarão também vem ‘Maria Luiza’, um peixe que antigamente era desprezado, mas se tornou nosso carro-chefe, pois dá um excelente filé”, explicou.

Ao final das apresentações, a gerente regional da Epagri, Viviana Bittencourt, surpreendeu o público ao fazer uma homenagem às participantes, entoando uma canção motivacional acompanhada pelo esposo ao violão. A emoção aumentou ainda mais quando as formandas receberam o certificado das mãos de companheiros, irmãs e colegas de trabalho. Um momento inesquecível para muitas que começaram na lida cedo na vida. “Eu só estudei até a sexta série e nunca tive um diploma. É a minha primeira formatura, uma alegria muito grande”, disse Josiane Onélia de Nascimento, 51, de Navegantes.

Por Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc

Informações para a imprensa
Isabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri
(48) 3665-5407 / 99161-6596

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