O pulgão-lanígero é uma das principais pragas da cultura da macieira. O inseto produz uma secreção branca, com aspecto semelhante à lã ou ao algodão, que recobre as colônias para protegê-las. Esse sistema de defesa da praga dificulta o controle químico dos pomares, contribuindo para a persistência das infestações. O ataque do pulgão enfraquece a planta e compromete a produtividade e a qualidade dos frutos. Estudos mostram que a efetividade dos inseticidas ainda é limitada e o custo é bem alto.

É aí que entra a Epagri, mais especificamente a Estação Experimental de Caçador, referência no melhoramento genético da macieira. A engenheira agrônoma e pesquisadora entomologista Janaína Pereira dos Santos, iniciou um estudo para avaliar a eficácia agronômica de alternativas químicas e biológicas com o objetivo de definir estratégias de manejo mais seguras e sustentáveis, tanto econômica quanto ecologicamente.
A pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapesc) e deve ser concluída em novembro de 2027. Duas tecnologias inovadoras deverão ser desenvolvidas a partir do estudo: uma metodologia específica para avaliar a eficácia de inseticidas, incluindo recomendações de uso racional, sem desperdícios; e estratégias químicas e biológicas, com avaliação de impactos econômicos e ecológicos nos principais sistemas de produção de maçãs: convencional, integrado e orgânico.
“Queremos gerar dados confiáveis para subsidiar recomendações práticas aos produtores em diferentes sistemas produtivos”, resume Janaína. Os estudos incluem a avaliação agronômica de inseticidas e a reavaliação de produtos já registrados. Ao todo, estão sendo testados nove inseticidas, tanto químicos quanto biológicos. Os experimentos incluem macieiras cultivadas em ambiente protegido (estufa) e em condições de campo, para validar os tratamentos pesquisados.

Impacto social, ambiental e econômico
Entre as validações estão inseticidas biológicos, usados em pomares orgânicos. Segundo Janaína, o manejo do pulgão-lanígero é ainda mais desafiador neste sistema de produção, devido à falta de produtos eficientes registrados e compatíveis com as normas da agricultura orgânica. Para ela, viabilizar esses inseticidas é essencial para atender mercados consumidores que exigem produtos livres de agrotóxicos.
A pesquisadora também destaca que tratamentos biológicos para pomares de maçã tendem a beneficiar pequenos e médios produtores. Isso porque, em geral, eles buscam certificações e nichos diferenciados, como o mercado orgânico, para atuar de forma mais competitiva. Outro benefício é a redução da exposição de trabalhadores rurais a produtos altamente tóxicos e a diminuição da contaminação do solo, da água e do ar.
A busca por alternativas de controle do pulgão-lanígero da macieira também tem o objetivo de reduzir custos de produção do setor. Ao identificar inseticidas e sistemas de manejo fitossanitários mais eficazes e com valores mais acessíveis, a pesquisa da Epagri quer garantir aos produtores de maçãs o uso racional de produtos, evitando desperdícios financeiros com tratamentos que não funcionam.

“Estamos gerando conhecimento para desenvolver práticas integradas de manejo que aliam eficiência, custo-benefício e menor impacto ambiental. O objetivo é aumentar a competitividade do setor produtivo, fortalecendo a posição de Santa Catarina como líder nacional na produção de maçãs, com frutos de maior qualidade e maior valor agregado no mercado nacional e internacional”, afirma Janaína.
Por: Cléia Schmitz, jornalista bolsista na Epagri/Fapesc
Informações e entrevistas:
Janaína Pereira dos Santos, pesquisadora da Estação Experimental da Epagri em Caçador
(49) 35616813 / janapereira@epagri.sc.gov.br
Informações para a imprensa
Isabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri
(48) 3665-5407/99161-6596