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Epagri já tem 520 alunos dos Cedups Agrotécnicos atuando como jovens aprendizes

Aline de Nardi de Morais, 16 anos, sempre gostou do campo, em especial da lida com os animais. A convivência com vacas, porcos e galinhas nas idas à casa da avó, no interior de Herval d’Oeste, na região do Meio-Oeste catarinense, foi despertando naquela menina a vontade de ficar no campo e trabalhar com os animais da fazenda. 

Aline de Nardi de Morais é uma das primeiras estudantes dos Cedups Agrotécnicos a ser contratada pelo Programa Jovem Aprendiz Rural (Foto: Divulgação/Epagri)

Quando chegou ao Ensino Médio, em 2025, Aline não teve dúvidas em se matricular no Centro de Educação Profissional (Cedup Agrotécnico) de Água Doce, instituição pública de ensino, administrada pela Epagri em parceria com a Secretaria de Estado da Educação. Hoje, Aline já pensa lá na frente, se formar no Cedup e cursar faculdade de Zootecnia.

Neste ano, a Epagri em cooperação técnica com a Secretaria de Estado de Educação,  CIEE e Auroracoop, viabilizou um projeto que serve como um empurrão para Aline seguir seu sonho. Ela foi uma das primeiras estudantes dos cinco Cedups Agrotécnicos do estado a ser contratada como jovem aprendiz pela Cooperativa Aurora, em março. A empresa é uma das maiores agroindústrias de proteína animal do Brasil e tem cerca de 87 mil famílias associadas. 

A contratação de Aline faz parte de um acordo de cooperação firmado em 2025 entre a Epagri, o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE-SC) e a Cooperativa Aurora. A parceria viabilizou o Programa Jovem Aprendiz Rural, que tem entre seus objetivos estimular os jovens a fazer o ensino médio agrotécnico por meio de um incentivo financeiro que ajude as famílias a arcarem com eventuais despesas. 

Atualmente, 520 alunos dos Cedups foram contratados como jovens aprendizes na Aurora. Até o final deste 1º semestre, serão 990 estudantes admitidos pela cooperativa, totalizando 75% dos alunos dos Cedups. A duração do contrato de jovem aprendiz é de até dois anos, com carga horária de 20 horas semanais e renda de meio salário mínimo (R$810,50 em 2026). 

Os alunos do Jovem Aprendiz Rural desenvolvem as atividades dentro dos próprios Cedups. “É um diferencial desse programa para que eles mantenham o foco nos estudos”, explica Juliana Faoro Gomes, coordenadora pedagógica do Cedup de Água Doce. São 16 horas semanais de conhecimento prático nas atividades da matriz curricular do curso profissionalizante de técnico em agropecuária e 4 horas de aulas de desenvolvimento profissional, ministrado de forma online, aos sábados, pelo CIEE. 

Juliana conta que a receptividade da comunidade escolar foi excelente. “Para os pais é a segurança de um futuro profissional a seus filhos. Para os alunos é a realização de ter o primeiro emprego”, destaca. Segundo a coordenadora, a seleção dos jovens aprendizes segue critérios como o compromisso do aluno com o colégio e a priorização aos filhos de produtores rurais. 

“Eu fiquei bem feliz porque é uma ótima oportunidade para aprender e agora posso pagar o meu aluguel em Água Doce sozinha, não vou ficar dependendo tanto de meus pais. Obviamente, se eu precisar de qualquer coisa, eles vão me ajudar, mas é muito bom poder contar com esse dinheiro”, explica Aline. A estudante mora com uma amiga perto da escola e aos fins de semana visita os pais, um sítio em Erval Velho, a cerca de uma hora de Água Doce. 

Programa une objetivos em comum

Para a diretora de Ensino Agrotécnico da Epagri, Andreia Meira, o Jovem Aprendiz Rural une Epagri, Secretaria de Educação, CIEE e Aurora em torno de um mesmo objetivo: promover a qualificação profissional e o incentivo à permanência do jovem no campo. “Ao mesmo tempo em que queremos incentivar a sucessão familiar no campo, oferecemos aos jovens acesso a novas tecnologias e práticas inovadoras, contribuindo para a formação de profissionais mais qualificados e alinhados às demandas agropecuárias”. 

Programa Jovem Aprendiz é uma política de incentivo à sucessão familiar no campo e a permanência dos jovens nas atividades agropecuárias (Foto: Aires Mariga/Epagri)

Uma das metas da Epagri é promover ações que estimulem a matrícula de mulheres. Hoje, elas representam 30% dos alunos dos Cedups. Para a diretora Andreia, a renda proporcionada pela parceria com o CIEE e a Cooperativa Aurora pode estimular a trazer mais mulheres ao ensino agrotécnico, pois atualmente, o alojamento destinado aos alunos de outras cidades é exclusivo para o público masculino, o que ainda representa um desafio para a ampliação da participação feminina.

A Epagri assumiu a gestão compartilhada dos cinco Cedups Agrotécnicos com a Secretaria de Estado da Educação em fevereiro de 2025. O novo modelo integra o ensino agrotécnico à pesquisa agropecuária e à extensão rural da Epagri, aproximando ainda mais escola, campo e tecnologia. Essa conexão facilita o acesso dos alunos às estruturas da Epagri, como Estações Experimentais, Centros de Treinamento e Gerências Regionais.

Por: Cléia Schmitz, jornalista bolsista na Epagri/Fapesc

Informações para a imprensa
Isabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri
(48) 3665-5407/99661-6596

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