Entre os meses de julho e dezembro, o Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepaf), em Chapecó, recebeu 22 grupos, somando 1.003 visitantes oriundos de diversas cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, além de um grupo de pós-graduandos da Universidade Santo Tomás, na Colômbia. Os visitantes puderam conhecer um pouco mais sobre as pesquisas desenvolvidas em campo, como controle de doenças e pragas, melhoramento de feijão e milho, manejo e recuperação de solos, sistema silvipastoril, pastagens, qualidade do leite, enxertia de araucária, análise de solos, cultivo de citros e oliveiras, além das atividades desempenhadas pela extensão rural. Entre os visitantes estavam alunos de escolas de ensino fundamental e médio, institutos federais, Casas Rurais, universidades, professores, técnicos de cooperativas, grupos de escoteiros, alunos com altas habilidades, jovens rurais e estudantes dos Centros de Educação Profissional Agrotécnicos de Santa Catarina (Epagri/Cedups).

O gerente do Centro de Pesquisa, Vagner Miranda Portes, explica que, por receber grupos de diferentes idades e níveis de formação, a unidade organiza visitas personalizadas, garantindo que todos compreendam os conteúdos apresentados e aproveitem plenamente a experiência. Ele salienta que a função da Epagri é gerar e difundir conhecimento. “Nós produzimos conhecimento por meio de artigos, livros, notas técnicas e também desenvolvemos tecnologias que são disponibilizadas para a sociedade, principalmente para o meio rural. Por isso, é fundamental que essas informações cheguem até as pessoas. As visitas são importantes porque nos permitem propagar esses conhecimentos e mostrar o que fazemos e como fazemos”, destaca.
Ele enfatiza também que estas atividades promovem uma importante troca de experiências. “Nós aprendemos muito com eles, e essa interação é extremamente interessante”, reforça. No mesmo sentido, o assistente de pesquisa, responsável por receber os grupos, Gilberto Luiz Curti, afirma que o trabalho da Epagri é essencial, não apenas para quem vive na área rural, mas também na área urbana. Por isso, Gilberto defende que “é imprescindível abrir as portas para a sociedade e mostrar quem somos e o que fazemos”. Ele relata que tem recebido comentários muito positivos sobre as visitas. “Muitas pessoas se surpreendem com a dimensão da área da estação e com a quantidade de coisas que a Epagri desenvolve”, diz.
Educação técnica, pesquisa e extensão lado a lado
Desde fevereiro, a Epagri compartilha com a Secretaria da Educação (SED) a gestão de cinco Cedups agrotécnicos nos municípios de Água Doce, Campo Erê, Canoinhas, São José do Cerrito e São Miguel do Oeste. Desde então, estão sendo realizadas atividades para integrar as metodologias de extensão rural, ensino e pesquisa. Parte fundamental desse processo é a aproximação entre os centros de ensino e as unidades de pesquisa da Epagri para promover trocas de saberes e contribuir para a formação dos futuros profissionais do campo.

Essa integração permite que os alunos tenham contato direto com tecnologias e práticas desenvolvidas pela pesquisa que são aplicadas pela extensão rural, fortalecendo a relação entre teoria e prática. Além disso, cria oportunidades para que professores e técnicos ampliem seus conhecimentos e levem para a sala de aula soluções que atendam às demandas da sociedade. Os alunos e os professores também estimulam os pesquisadores a ampliar o olhar sobre os principais desafios da agricultura em Santa Catarina, trazendo questionamentos que enriquecem o processo.
No segundo semestre de 2025, além dos professores dos cinco centros de ensino geridos pela Epagri, visitaram o Centro de Pesquisa em Chapecó os alunos dos Cedups de São Miguel do Oeste e São José do Cerrito. A unidade ainda recebeu a visita dos professores do Cedup de Itajaí, cujo conteúdo não é voltado para o meio rural e, por isso, não é gerido pela Epagri. No dia 29 de novembro, professores e 90 alunos do terceiro ano do Cedup Caetano Costa, em São José do Cerrito participaram da visita às instalações da Epagri/Cepaf. Para muitos estudantes, o momento marcou uma nova experiência, já que alguns deles saíram de viagem pela primeira vez. Entre novas paisagens e muitas informações, eles puderam interagir diretamente com os pesquisadores, que contaram um pouco sobre suas trajetórias profissionais e apresentaram os principais trabalhos desenvolvidos por eles.

Entre os alunos, Alexsandro Morais, que se prepara para realizar o estágio de conclusão de curso na Fischer Frutas, em Fraiburgo, relembra que, no início, ficou contrariado quando a madrasta decidiu matriculá-lo no Cedup. Hoje, ao olhar em retrospecto e considerar toda a bagagem adquirida ao longo dos anos de ensino técnico, reconhece que a decisão foi fundamental para seu crescimento. “Ela fez um grande bem para mim”, afirma.
Nesse sentido, a extensionista social da Epagri, Rita de Cassia do Amaral Muniz, observa que o papel da família é fundamental no desenvolvimento dos alunos. “Desde o início da parceria entre a Epagri e a Secretaria de Estado da Educação estamos realizando um trabalho intenso de acompanhamento dos estudantes e de suas famílias, buscando compreender objetivos, identificar potencialidades e alinhar expectativas. A comunidade nos abraçou e essa união tem nos permitido conquistar grandes resultados juntos”, relata. A visita para dez alunos desta turma foi ainda mais especial porque eles irão realizar o estágio final em unidades da Epagri.
O trabalho coletivo reafirma o compromisso da Epagri em aproximar ciência e sociedade. Mais do que difundir tecnologias e conhecimento técnico, as visitas estreitam vínculos com a comunidade e ajudam a formar cidadãos conscientes, preparados para impulsionar a inovação e a sustentabilidade no campo ou na cidade.
Por: Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc
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